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Páginas: 6 (1483 palavras) Publicado: 14 de abril de 2015
Resenha

JUDENSNAIDER, Elena; LIMA, Luciana;
ORTELLADO, Pablo; POMAR, Marcelo.

Vinte centavos: a luta contra o
aumento. São Paulo: Editora Veneta,
2013.

Isabel Loureiro (UNESP)

Em

junho de 2013, as gigantescas manifestações que tomaram
conta das principais cidades brasileiras produziram o mais
importante capítulo da história das lutas no país nos últimos 20
anos. Resta entender por que umprotesto contra o aumento de
vinte centavos na tarifa de transporte em São Paulo, convocado pelo
Movimento Passe Livre (MPL) repetindo o que sempre fizera em
anos anteriores, obteve tamanha repercussão que, em 14 dias,
abarcou o país inteiro e terminou vitorioso.
20 centavos: a luta contra o aumento, diferentemente das
publicações voltadas à análise pura e simples dos acontecimentos,
dedica-se a umrelato dos embates políticos diários em São Paulo, a
partir de documentos, lembranças dos participantes e entrevistas
com os principais protagonistas – Movimento Passe Livre (MPL),
prefeitura [PT] e governo do Estado de São Paulo [PSDB], polícia
militar, meios de comunicação, PT, poder legislativo. A narrativa
começa no dia 6 de junho e termina no dia 19, quando é anunciada
a redução da tarifa.Diferentemente da grande mídia, para quem as manifestações
eram um raio em céu azul, Marcelo Pomar, na Introdução, aponta
as condições subjetivas e objetivas que contribuíram para esse
desenlace. Em primeiro lugar, o processo de constituição e
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Isabel Loureiro

desenvolvimento do MPL. Com quase 10 anos de experiência em
manifestações de rua e sólido trabalho de base em escolas
secundárias, omovimento é formado por jovens que, articulando-se
em rede e dominando as novas tecnologias, rejeitam a disputa por
espaços no poder de Estado e atuam em âmbito municipal. Desde
2005, momento de sua fundação no Fórum Social Mundial em
Porto Alegre, o MPL adotou os princípios em vigor até hoje:
autonomia, independência, horizontalidade e apartidarismo, até
adotar como bandeira de luta a tarifa zeronos transportes coletivos
urbanos, proposta de um antigo secretário de transportes do PT.
Em segundo lugar, não podemos esquecer um conjunto de
condições objetivas, sem as quais nada disso teria acontecido. As
cidades brasileiras, fortemente marcadas pela desigualdade,
obrigam os pobres a morar em periferias distantes carentes de
serviços públicos e a usar o transporte coletivo para chegar aotrabalho e ao lazer. No caso de São Paulo, o transporte público é
tratado como interesse privado: o poder público cede o direito de
exploração a empresas que financiam campanhas eleitorais para, em
troca, continuarem donas das concessões. Finalmente, uma crise de
mobilidade urbana, provocada ultimamente pelos incentivos fiscais
do governo federal à indústria automobilística, o que levou à
compra deautomóveis em prestações e a um congestionamento das
cidades ainda maior.
A segunda parte do livro faz a crônica desses 14 dias
memoráveis, o grande mérito dos autores consistindo, entre outras
coisas, na escolha das fontes primárias. Numa narrativa
apaixonante, exibem o tabuleiro de xadrez em que se movem as
forças políticas locais e nacionais e expõem em toda a sua crueza o
arraigado conservadorismoda imprensa brasileira, escrita e
televisiva, a truculência da polícia militar, a inabilidade política do
prefeito e do governador de São Paulo que, até o último momento,
se opõem à revogação do aumento, o senso de oportunidade do
MPL, sua lucidez tática e estratégica. Em vez de juízos de valor, os
Autores optam por dar voz aos atores, deixando que o leitor tire
suas próprias conclusões. O livrotorna-se assim um documento
valioso para compreender e avaliar os protestos de junho de 2013.

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Resenha

O que chama a atenção nessa crônica vertiginosa é a guinada que
se opera na cobertura e no discurso da mídia a partir de 13 de
junho. Até então, esta havia desqualificado o MPL, alegando ser
formado por estudantes e punks, ligados a pequenos partidos de
esquerda radicais; que a redução...
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