O progresso na ordem: bernardo pereira de vasconcelos e o regresso conservador

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 15 (3747 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 7 de agosto de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
I. INTRODUÇÃO


Bernardo Pereira de Vasconcelos. Jornalista, Deputado geral, Senador, Ministro e Conselheiro de Estado, grande orador e voz da oposição no Primeiro Reinado, fundador do Partido Conservador em 1837 e grande nome do Regresso. Membro atuante do corpo legislativo, peça fundamental num momento de afirmação constitucional das instituições nascentes, após o fechamento do parlamento e aoutorga da carta magna.

Exaltado por estrangeiros como John Armitage e Reverendo Walsh, sendo por este considerado de uma impressionante grandeza de raciocínio e pensamento lógico, ponto que, para walsh, não havia igual na câmara. Já Armitage o considerava o Mirabeau do Brasil. Um testemunho brasileiro da época é o de Nabuco de Araújo, transmitido ao filho, Joaquim Nabuco. Segundo esse último,os dois acontecimentos intelectuais da época do Primeiro Reinado era a pena de Evaristo da Veiga, na Aurora Fluminense, e a palavra de Vasconcelos na Câmara.

A Carta aos eleitores da província de Minas Gerais, nosso primeiro manifesto liberal e documento precioso de nosso aprendizado democrático, é sua principal obra. Nascida do desejo de prestar conta aos eleitores de Minas, de sua atuaçãoparlamentar entre 1826 e 1827, a Carta é em si mesma, um documento revelador do espírito da época. Pela primeira vez, e já na primeira legislatura, um representante da nação prestava conta aos eleitores de seu trabalho e se submetia a seu julgamento.

Revelador de todo um espírito de época, toda ação política de Bernardo Pereira de Vasconcelos seguiu esse viés: proteger a nação dos particularismos, dodespotismo e da secessão. Para ele, organizar a autoridade não era tarefa que se pudesse cumprir a margem do sistema representativo, ou dele prescindindo, mas sim por meio dele, em conjunção com o princípio monárquico[1].


II. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA

Hoje, ao vermos o noticiário, lermos o jornal, conversarmos com as pessoas, percebemos uma grande desmotivação quando entra em cena a palavrapolítica. Assim também acontece com a História. A partir do nascimento do paradigma dos Annales[2], principalmente a partir da crítica a História Tradicional, feita por François Simiand (2001), temos como ponto positivo o aumento das possibilidades para os historiadores, porém, não sem perdas. Novos métodos e problemas se abrem para a geração pós-Annales, o social e o econômico ganham força, emdetrimento do político. Jacques Julliard (1976) em um artigo sobre a política comenta que esse ramo de análise tem uma má reputação entre os historiadores franceses. Temos assim, em termos genéricos, um esvaziamento do político, por micro-análises, estudos indiciários, entre outros.

Dentro desse viés, nosso estudo se pretende limitar ao campo do Pensamento Político Brasileiro, mais especificamente noséculo XIX, a partir da independência. Em grande parte, os grandes pensadores políticos desse período tiveram vinculo com a atividade política. O que oferecia as discussões travadas no Parlamento Nacional um arcabouço teórico muito bom. Sendo assim, podemos dizer que o pensamento político brasileiro se revelou, em grande parte, no parlamento ou na obra de seus pensadores políticos.

Concordamos comRodrigues (1972) quando critica a maioria das Histórias do Brasil, pelo desconhecimento do papel do parlamento, que só aparece “quando existiram crises, estados de exceção, guerras civis, e se tornou necessária ou se conseguiu, sob pretextos variados, a concessão de recursos extraordinários e a suspensão das garantias constitucionais”.[3] Nosso estudo então, servirá para evidenciar que a construçãonacional não é obra somente do Poder Executivo, mas também do Poder Legislativo, e foi, durante o Império, durante o regime parlamentar, obra, sobretudo do Parlamento[4].

Rodrigues (1972) cita Hegel em suas Lições sobre Filosofia da História, quando observa que as ações se revelam também como discursos, porquanto atuam também sobre a representação:

“Os discursos são atos...
tracking img