O positivismo sem negacionismo 1 na geografia

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Martin (2005, p. 500) chama a atenção para a existência de dicotomias, por causado significado dado à representação simbólica das palavras, e que tem sido prejudicial aopensamento geográfico, destacando cinco casos:1. Que a geografia deve ser abordada idiograficamente ou nomoteticamente, mas não asduas condições simultaneamente;2. Que a geografia física e humana são áreas diferentes de estudo,com diferentes estruturasconceituais;3. Que a geografia deve ser tópica ou regional;4. Que a geografia deve ser indutiva ou dedutiva; e,5. Que a geografia como um campo de estudo deve ser classificada ou como uma ciência oucomo arte.Ao final, o autor comenta que o fato da literatura geográfica estar colocada emtodas estas categorias destrói a validade das dicotomias - daí seu caráter plural
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.Oautor destaca que as alterações no pêndulo acadêmico podem ser observadas nainteração entre as duas tradições básicas da geografia – matemática e literária. Seria errôneoequivaler o uso da matemática com um objetivo de estabelecer uma lei, e o uso da linguagem comum objetivo descritivo. Na realidade, a matemática em muitos casos proporciona um métododescritivo notavelmente mais preciso. Estudos naforma literária podem propiciar excitantesabordagens inovadoras na formulação de conceitos (
ibid
, p. 527).Por seu turno, Bird (1993, p. 2) parte do princípio de que a disciplina acadêmicada geografia tem um caráter sempre inacabado, e isto até mesmo se aplica à visão adotada de suaprópria história – qualquer sistema proposto deve de alguma forma lidar com o fato da propensãoinerente de sertrocado, modificado, ou mesmo refutado.Em meados da década de 70, ganha força a corrente radical-crítica (neomarxista):trata-se de uma reação à suposta neutralidade científica da geografia, enfatizada pela geografiateoretico-quantitativa (...). Pretende deixar claro que existe uma íntima relação entre ideologia egeografia e que o espaço geográfico só poderá ser compreendido em suas estruturas eprocessos apartir do momento em que for considerado como um produto social, um produto do modo deprodução dominante da sociedade (Amorim Filho, 1982, p. 14).Outra corrente, segundo Amorim Filho
et al
(1987), é a Geografia da Percepção edo Comportamento Espacial ou Humanística (hoje humanista-cultural), que constitui uma outraforma de reação à Geografia Teorético-Quantitativa, e seu pressupostofundamental é a afirmaçãosegundo a qual as pessoas se comportam no mundo real não a partir de um conhecimento objetivodesse mundo, mas com base nas imagens subjetivas dele.Com o desenvolvimento das várias correntes na geografia, o ecletismo pareciacaracterizar a disciplina, que por outro lado parecia perder o seu centro de referência (...). E, com achegada do pós-modernismo, uma teoria geral não eramais possível (...). Martin (2005, p. 424).Johnston (1986, p. 307-8) comenta que:“
A Geografia Humana de certo modo tem sido sempre pluralística como disciplina,contendo mais de um discurso. Atualmente, sem dúvida, ela é pluralística. Nenhumdiscurso controla a organização institucional da disciplina – suas sociedades eruditas eseus corpos pedagógicos. E nenhum parece estar em condição de fazê-lonum futuroprevisível.”

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Comentário deste autor
Luiz Eduardo Pereira de Oliveira
O Positivismo sem Negacionismo na Geografia

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Alisdair Rogers
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, citado por Amorim Filho (1997, p. 16), descreve o que seriauma
geografia pós-moderna
:
“A realidade é complexa, não há caminhos garantidos de representação ou demodelagem, nossas explicações são parciais e nossas interioridadesse parecem maiscom o criticismo literário ou à psicanálise... nossa fé na planificação racional e noprogresso se debilitou... a ausência de cada uma das explicações e uma incapacidadepara predizer e controlar a realidade poderia ser um resultado positivo se for concebidocomo que o dito controle é exercido principalmente pelos poderes centralizados ehierárquicos. A abertura, pluralidade e...
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