O papel da mimesis no discurso cinematográfico do documentário jogo de cena (2007) de eduardo coutinho.

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O PAPEL DA MIMESIS No discurso cinematográfico Do documentário Jogo de Cena (2007) de Eduardo Coutinho.
Gustavo Henrique dos Santos Vale[1]


RESUMO: Este trabalho apresenta algumas considerações sobre o processo de construção do documentário Jogo de Cena (2007), de Eduardo Coutinho. Através da análise de construção das personagens, um dos eixos de questionamento do filme como um todo e sobreo qual podemos ajustar a compreensão para a consciência que os sujeitos do filme têm acerca do fato de serem, naquele momento, personagens de uma narrativa midiática, é possível traçar analogias que nos remetem à construção de subjetividades expressas por uma performatividade das personagens, suas falas, gestos, atitudes etc., observando o caráter mimético intrínseco à narrativa da obra.PALAVRAS CHAVE: documentário contemporâneo, mimesis, memória, construção da personagem


ABSTRACT: This work presents some thoughts on the construction process of the Jogo de Cena (2007) documentary, by Eduardo Coutinho. Through the analysis of the personages construction, one axles of questioning about the film as a whole and in which we can adjust the understanding eto the consciousness that thesubjects of the film have concerning the fact to be, at that moment, personages of a media narrative, it is possible to trace analogies that take us back to subjectivity construction shown by the personages’ performances, seen at their saying, gestures, attitudes etc., focusing the mimetic character intrinsic to the narrative of these film.

KEY WORDS: documentary contemporary, mimesis, memory,personage construction




INTRODUÇÃO


Nesse pouco mais de um século de produção cinematográfica, o conceito de documentário tem trafegado entre várias definições, no mesmo passo que a forma de produção de filmes vem se modificando, seja por romper com um modelo específico, em suas potencialidades idealistas, ou por utilizá-lo de um modo inovador, com rearranjos estéticos, discursosde dispositivos e estratégias de narrativas ou, ainda, pelo surgimento de novos recursos tecnológicos que possibilitam o desenvolvimento de diferentes procedimentos.
O modo de o espectador compreender as obras apresentadas também vem sofrendo alterações, em parte, graças a uma crescente democratização de acesso a essas novas tecnologias e conceitos midiáticos, que se popularizam devido aointenso desenvolvimento de fluxos e conectividades técnico-informacionais, ao encurtamento dos espaços e à fluidez das fronteiras típicas do atual momento de globalização.
Somente durante a década de 1920 foram criadas as condições necessárias para a definição do gênero documentário, sobretudo com Robert Flaherty (1884-1951) e Dziga Vertov (1895-1954). Dois cineastas pioneiros para estaforma de cinema, o primeiro com o objetivo de manipular o mínimo possível a realidade a ser filmada, mostrando que, mesmo se atentando em estabelecer uma observação anônima, a simples presença da câmera já é o bastante para provocar alterações comportamentais, partindo de uma ética de imparcialidade e objetividade, o segundo estabeleceu como plataforma para seu trabalho cinematográfico asarticulações possíveis dadas entre os elementos olho, câmera, realidade e montagem, inspirando-se nos ideais futuristas.
Entretanto, foi nos anos 30 que a sua identidade se firmou com o Movimento Documentarista Britânico, em especial com o escocês John Grierson, precursor no uso do termo “cinema documentário” e criador da Escola Britânica de Documentários, a primeira do mundo especializada nesse modelocinematográfico. Grierson contribuiu para a consolidação da linguagem documental e o reconhecimento da produção fílmica enquanto algo autoral e, sobretudo, definiu algumas margens para a caracterização do gênero, como podemos observar em First principles of documentary (GRIERSON 1932), onde o autor propõe algumas regras referentes ao documentarista, como a obrigatoriedade de se fazer um...
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