O nacionalismo presente no romance sertanejo “inocência”, de visconde de taunay

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  • Publicado : 22 de abril de 2013
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O nacionalismo presente no romance sertanejo
“Inocência”, de Visconde de Taunay

A narrativa Inocência, de Visconde de Taunay, foi publicada em 1872. Seu contexto histórico de produção foi marcado por mudanças profundas na política do Brasil. Em 1870, foi fundado o Partido Republicano Brasileiro, que defendia a transição pacífica de Monarquia para República. No ano seguinte, foi decretada aLei do Ventre Livre, promulgada em 28 de setembro de 1871, dava liberdade aos filhos de escravas nascidas a partir desta data. No ano de 1872, religiosos são condenados à prisão por recusar a ordem de suspender a punição de membros da maçonaria, ligados a D. Pedro II. Por isso, até 1874, a Igreja Católica, submetida ao poder do Estado desde o período colonial, se encontra em conflito com oimperador.
O livro conta a história de amor entre Inocência e seu amor Cirino. Única filha de Martinho dos Santos Pereira, um mineiro viúvo que vive num sítio isolado, Inocência se apaixona por Cirino, um prático de farmácia que se fazia passar por médico e que é levado à casa da jovem para tratar de sua saúde.
Apesar de viver praticamente reclusa no fundo da casa, os breves contatos com Cirino, porocasião das consultas médicas, despertam em Inocência a chama da verdadeira paixão, no que é correspondida pelo rapaz. Os passaram a viver um amor que lhes causa grande perturbação íntima, pois a jovem está prometida a Manecão, um rude vaqueiro do lugar, e em hipótese nenhuma o velho Pereira estaria disposto a desconsiderar o compromisso. Esse era o código moral da sociedade, que impedia àquelesjovens enamorados realizar seu sonho de amor.
Além de Cirino, encontrava-se na casa de Pereira um naturalista alemão, Meyer, que viajava pelo Brasil em busca de novas espécies de insetos, principalmente borboletas. Ignorando os preconceitos que marcavam a vida familiar sertaneja, Meyer expressa várias vezes as admiração pela beleza de Inocência, despertando a preocupação de Pereira, que passa avigiá-lo como se ele fosse um perigoso sedutor. Assim fazendo, ele dá oportunidade a Cirino de comunicar-se mais facilmente com a moça.
Com a partida de Meyer, as coisas se complicam para os namorados. A data do casamento se aproxima, Inocência não está mais doente e Cirino fica sem pretextos para vê-la. Vai, então, procurar o padrinho da moça para pedir-lhe que interceda, mas, enquanto estáfora, o namoro é descoberto.
O epílogo trágico, com a morte dos dois amantes, vem reafirmar a supremacia dos rígidos padrões sociais até mesmo sobre os sentimentos mais nobres e verdadeiros.
Os personagens podem ser caracterizados como planos, pois todas agem de forma coerente em relação ao papel que desempenham na narrativa. A obra tem como principais: Martinho dos Santos Pereira, pai deInocência, é “homem chão e hospitaleiro, que acolhe com carinho o viajante desses alongados paramos”, mantém “inabalável a sua palavra de honra” (Taunay, 2008, p. 17 e p. 70); Inocência, que “fez 18 anos e é rapariga que pela feição parece moça de cidade, muito ariscazinha de modos, mas bonita e boa deveras, [...]coitada, foi criada sem mãe, e aqui nestes fundões.” (Taunay, 2008, p. 39); Cirino FerreiraCampos, se enamorou por Inocência, “tinha quando muito vinte e cinco anos, presença agradável, olhos negros e bem rasgados, barba e cabelos cortados quase à escovinha e ar tão inteligente quanto decidido”. (Taunay, 2008, p. 24). Existe, também, o Manecão, homem rude e violento, é o noivo prometido da moça; Meyer, “tinha rosto redondo, juvenil, olhos gázeos, esbugalhados, nariz pequeno e arrebitado,barbas compridas, escorrido bigode e cabelos muito louros.” (Taunay, 2008, p. 46).
Na obra, o tempo se passa de forma linear, onde as ações acontecem de modo ordenado seguindo uma cronologia, “todas elas apontando para uma única direção, cujo cume é a morte dos amantes” (Gregório & Camargo, 2011, p. 08).
O narrador influencia na organização temporal, porque associa cortes e flashbacks....
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