O mundo do trabalho

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O MUNDO DO TRABALHO

A construção da ideologia da glorificação do trabalho
O conceito do trabalho passou a ocupar um lugar privilegiado no espaço da reflexão teórica nos dois últimos séculos. Anteriormente, a reflexão intelectual lhe concedeu uma posição de fenômeno secundário. Mesmo assim, é certo que podemos falar de trabalho humano desde os primórdios da humanidade: as comunidades decaçadores e coletores 8.000 anos A.C., a incipiente agricultura no Oriente Médio, China, Índia e norte da África, o trabalho escravo nas civilizações antigas, a relação servil na Idade Média são alguns exemplos. Sobre todo esse período, importa-nos apenas sublinhar que apesar da secundarização do fenômeno, houve vários conjuntos de ideias, bem como que a construção de cada um demandou um longo períodohistórico e que mesmo nas sociedades antigas conviviam idéias divergentes sobre o trabalho, embora que com menor poder de influência.
O cidadão, para Platão, devia ser poupado do trabalho. Aristóteles valorizava a atividade política e referia-se ao trabalho como atividade inferior que impedia as pessoas de possuírem virtude. Todo cidadão devia abster-se de profissões mecânicas e daespeculação mercantil. A primeira limita intelectualmente e a segunda degrada eticamente. Portanto, a filosofia clássica caracterizava o trabalho como degradante, inferior e desgastante. Ele, o trabalho, competia aos escravos. Era realizado sob um poder baseado na força e na coerção, no qual o senhor dos escravos detinha o direito sobre a vida do escravo.
Essa ideologia do trabalho partia de umconceito mais restrito de trabalho, reduzindo-o às atividades braçais e/ou manuais e executados pelos escravos. A política, atividade superior e dos cidadãos, não era considerada trabalho. Aristóteles entendia a escravidão como um fenômeno natural, pois que sustentava que há pessoas destinadas a fazer uso exclusivo da força corporal e que devem satisfazer suas necessidades no âmbito restrito dasatividades manuais.
No império romano, as guerras e conquistas, o antagonismo de classe, as crises econômicas que empobreciam ainda mais as camadas populares, garantia a abundância de mão- de- obra escrava. Justamente por essas razões, apesar das contribuições romanas no campo do Direito, a ideia sobre o trabalho não sofre significativas modificações em comparação com a reflexão grega.
Assim, tantona Grécia como em Roma a escravidão e a estruturação da sociedade, baseada nela, sustentava a forma de pensar clássica sobre o trabalho.
Hopenhayn (2001) chama atenção, entretanto, que nem entre os gregos aqueles ideias clássicas eram unânimes. Tais ideias representam o que era dominante no mundo grego, porém, em Hesíodo (três séculos antes de Platão) e depois, na religião de mistérios queencarnava a vontade dos camponeses, assinalava-se que os Deuses e os homens odeiam aqueles que vivem inativos e exaltam o trabalho daqueles que se unem a terra e atribui-no um valor sagrado.
Caldeus, hebreus, orientais e primeiros cristãos entre outros tinham ideias bastante distintas sobre o trabalho. E muitas mudanças foram acontecendo paulatinamente durante a idade média no que se refere a economiae a estrutura das sociedades de forma que tais ideias foram se tornando inadequadas. É com o surgimento do capitalismo que se constrói e consolida-se uma mudança mais visível na reflexão sobre o trabalho.
Para Marx (1867/1983), dois fatos principais demarcaram o surgimento da produção capitalista. Outro, a eliminação (dentro de certos limites) das diferenças individuais, passando o capitalista alidar com o operário médio ou abstrato. Estes dois fenômenos ocorrem com o surgimento da manufatura que, por sua vez, pressupõem um adiantado processo de acumulação do capital, desenvolvido no período anterior.
O indivíduo desprovido destes meios não tem como reproduzir sua existência. Essa situação, que põe de um lado, o dono do capital e, de outro, possuidores da força de trabalho, não é um...
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