O mundo carolingio

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MENDONÇA, Sonia Regina de. O Mundo Carolíngio. São Paulo: Brasiliense, 1987.

Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476, a Europa passou a conviver com uma lacuna no poder temporal, pois o poder político fora fragmentado pelos reinos bárbaros invasores ali instalados. Já a Igreja manteve intacto seu poder espiritual e ideológico. Conforme afirma Perry Anderson (2004, p. 89), a igrejacristã passou a ser a única ponte entre o mundo antigo e o mundo medieval, a Igreja tornou-se a única instituição da Antigüidade a manter-se intacta após a queda de Roma. Foi a Igreja que manteve a cultura e a lei romana preservada mesmo com a queda do Império. É importante que esta Igreja, como instituição, já caminha em direção à criação da Igreja Católica Apostólica Romana, pois nesta época comoem nossos dias, esta Igreja tornara-se muito mais uma instituição política do que a verdadeira igreja surgida com os primeiros apóstolos em Jerusalém.
O crescente número de invasões bárbaras e o avanço dos árabes muçulmanos, fez com que a igreja medieval, agora temerosa com esses invasores, buscasse um novo sistema de governo capaz de reunificar a Europa ou de um novo chefe de Estado capaz dereavivar o Império Romano do Ocidente. Esta tentativa de unificação ainda esbarrava na falta de reis cristãos, pois as tribos que se instalavam na Europa eram em sua maioria pagãs ou convertidas à heresia cristã do arianismo.
As tribos germânicas que invadiram o Império Romano eram basicamente tribos rurais e patriarcais divididas em clãs de famílias. Não tinham noções de Estado. A base agrária eraformada por camponeses livres e a terra era coletiva, com raríssimas exceções tinham escravos.
No século V, Clóvis I (481-511) unificou as tribos francas e instituiu o primeiro Estado dos Francos. A Igreja Romana viu nesta unificação a possibilidade de um aliado militar, já que Clóvis buscava sustentação ao seu governo e vê na igreja o poder ideológico que lhe faltava. Igreja e Clóvis aliam-se. Aigreja unge Clóvis como o primeiro rei cristão dos francos, a união é oficializada com o batismo do monarca e de seus oficiais.
Clóvis fundou a Dinastia Merovíngia, nome em homenagem ao seu avô Meroveu, que fora um importante líder tribal franco.
Ao morrer em 511, Clóvis, deixou como herdeiros seus quatro filhos. Os filhos de Clóvis dividiram o reino em quatro partes, cada um deles governandoum reino distinto. Esta divisão causou o enfraquecimento político e militar dos francos. O povo discordando das políticas desses reis e por não ver neles nada além de uma corte pomposa e sem efeitos práticos, passou a chamá-los de “reis vagabundos”.
A inabilidade política dos descendentes de Clóvis ocasionou a passagem do governo às mãos dos Prefeitos de Palácio, também conhecidos como Mordomosde Palácio,
eram esses prefeitos que de fato passaram a governar, quase como num sistema de monarquia parlamentarista.
Os prefeitos palacianos governavam o Estado e o exército. Com o descrédito dos reis, passaram a receber o apoio do povo e dos integrantes do exército.
O principal destes mordomos palacianos foi Carlos Martel (715-741), sua fama cresceu quando venceu os visigodos em 711 e osárabes na batalha de Poitiers em 732.
Carlos Martel teve no exército os seus fiéis seguidores e teve, também, a simpatia do povo. Martel venceu diversas batalhas impedindo às invasões árabes, os árabes tentavam subir a Península Ibérica em direção da Gália. As conquistas de Martel garantiram aos Francos uma grande quantidade de terras, terras que Martel dividiu entre seus oficiais. Porém, estapolítica de Carlos Martel entrou em choque com a Igreja quando este tomou terras outrora pertencentes à Igreja e as dividiu entre seus fiéis seguidores. Quando morreu, seu filho Pepino o Breve assumiu seu posto.
Pepino contando com a simpatia do povo e do exército aliou-se à Igreja romana, devolvendo-lhes parte das terras confiscadas.
Pepino percebendo a fragilidade dos reis merovíngios, deu um...
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