O mestre ignorante como principio para emancipação: “ninguém é tão pequeno que não possa ensinar, e tão grande que não possa aprender.” (cora coralina)

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Parte 1:

“A distância que a Escola e a sociedade pedagogizada pretendem reduzir é aquela de que vivem e que não cessam de reproduzir. Quem estabelece a igualdade
como objetivo a ser atingido, a partir da situação de desigualdade,
de fato a posterga até o infinito.”
As instituições de ensino em suma embrutecem seus alunos. Pois, desde o início elas estabelecem a desigualdade querendobuscar a igualdade, como já dizia Rancière em o Mestre Ignorante. Delimitam a idade que a criança deve começar aprendizagem como se até aquele momento não fosse capaz de aprender nem compreender. E é aí que se encontra o mito pedagógico, que divide a inteligência em duas: inferior e superior. Sendo a inteligência inferior àquela que “registra as percepções ao acaso, retém, interpreta e repeteempiricamente, no estreito círculo dos hábitos e das necessidades. É a inteligência da criancinha e do homem do povo.”2 E a inteligência superior “conhece as coisas por suas razões, procede por método, do simples ao complexo, da parte ao todo. É ela que permite ao mestre transmitir seus conhecimentos, adaptando-os às capacidades intelectuais do aluno, e verificar se o aluno entendeu o que acabou deaprender. Tal é o princípio da explicação. Tal será, a partir daí, para Jacotot, o princípio do embrutecimento.”3
Nesse contexto, nós nos perguntamos assim como Rancière: “Não seria esse método maldito, da adivinhação, o verdadeiro movimento da inteligência humana que toma posse do seu próprio poder?”4 E podemos ir além, será que não foi pelo acaso que muitas descobertas científicas foram feitas?Parece que os pedagogos se esqueceram como Newton propôs suas leis (de suas observações ao acaso) ou até mesmo Einstein com suas teorias. Tais cientistas não precisaram de explicadores que dissessem o que fazer.
O mestre explicador “sempre guarda na manga um saber, isto é, uma ignorância do aluno.”5 Desde pequenos somos educados que para saber, aprender e compreender diversos assuntos é preciso terum professor que lhe explique aquilo que você sozinho não teria capacidade de aprender, pois aprender sem professor é para poucos e esses são os autodidatas. Rancière diz que somos capazes de aprender sozinhos e mais que “compreender não é mais do que traduzir, isto é, fornecer o equivalente de um texto, mas não sua razão. Nada há atrás de uma página escrita,..., que necessite do trabalho doexplicador”6
No ponto de vista de Rancière todos os seres humanos têm a mesma capacidade intelectual e a essa igualdade chamou emancipação. Pois, ‘“todo homem que é ensinado não é senão uma metade de homem.”’7 Tal emancipação se dá quando o mestre emancipado retira sua inteligência para deixar os alunos a mercê de sua própria inteligência. Ou seja, o professor deveria instigar o aluno a pensar eestudar sozinho. Ele teria o papel de incentivador. Pois, nós alunos por vezes precisamos de alguém que faça com que tenhamos vontade de buscar.
É pela vontade de entender o que se fala que uma criança aprender a falar. A vontade é a impulsionadora da aprendizagem e não a instituição educacional. E assim fala Rancière: “Pode-se aprender sozinho, e sem mestre explicador, quando se queira, pela tensãode seu próprio desejo ou pelas contingências da situação.”
A educação brasileiro em geral tem esse caráter embrutecedor descrita no livro O Mestre Ignorante. Os alunos não conseguem pensar sem o professor, como se a inteligência deles dependesse da do professor e sua explicação.
Que nós um dia façamos com que todos entendam que “a mesma inteligência está em ação em todos os atos do espíritohumano.”1



































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1 RANCIÈRE, J. 2002

Parte 2:

Toda e qualquer explicação do professor ajuda no progresso do embrutecimento.
Uma das questões centrais, pelo que conseguimos perceber, está no papel de explicador que é atribuído aos professores e professoras, restando, quase sempre, aos alunos e alunas...
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