O localismo e o cosmopolitismo que “condensaram” a tinta para a pena dos escritores josé de alencar e machado de assis.[1]

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  • Publicado : 2 de maio de 2012
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O localismo e o cosmopolitismo que “condensaram” a tinta para a pena dos escritores José de Alencar e Machado de Assis.[1]


Por Ana Christina Bezerra e Áurea Márcia Rolemberg[2]


Para aqueles que estudaram Literatura Brasileira no período escolar, podem recordar-se da sucessão dos movimentos associados a datas e períodos da nossa história, como se os movimentos literários, defato, seguissem uma ordem cronológica bem definida, assim como obras feitas por brasileiros, sendo Literatura Brasileira, pois, o Brasil nos primeiros séculos de sua história sempre deu vazão à tradição herdada, por isso mesmo, sempre ficou uma dívida latente com o velho mundo. Apenas para usar de exemplo, podemos citar Bento Teixeira, com sua prosopopeia (SéculoXVII) que forjou o primeiro objetodo “nosso” Barroco.
Sem entrar no mérito da originalidade ou como se construiu a nossa história literária, podemos destacar que o intelecto pujante dos nossos escritores, mesmo em plena sintonia com as produções estrangeiras, sempre procurou pintar de verde e amarelo suas produções. Então, para ilustrar tal reflexão, chamaremos à atenção para dois escritores, José de Alencar e Machado deAssis, e seus respectivos projetos na construção da identidade tupiniquim e, estes, em relação ao cosmopolitismo que “condensou” a tinta para a pena deles.
Ao trazer a lume a figura de José de Alencar, traz-se também um dos maiores painéis feitos da literatura nacional, seja em relação geográfica, porque procurou retratar quase todas as partes do Brasil, sertão e litoral, sul e norte, comotambém a noção temporal em seus trabalhos com o que diz respeito a nossa história. Para deferir nossas afirmações, achamos por bem usar as palavras do próprio José de Alencar:


“O Período orgânico desta literatura conta já três anos já três fases.
A primitiva, que se pode chamar aborígene, são as lendas e os mitos da terra e conquistada; são astradições que embalaram a infância do povo, ele escutava como o filho a mãe acalenta no berço com as canções da pátria, que abandonou.
Iracema pertence a essa literatura primitiva, cheia de santidade e enlevo, para aqueles que venceram na terra da pátria a mãe fecunda – alma mater, e não enchergam nela apenas o chão onde pisam.
O segundo período éhistórico, representa o consórcio do povo invasor com a terra americana, que dele recebia a cultura, e lhe retribuía nos eflúvios de sua natureza virgem e nas reverbarações de um solo explêndido.
È a gestação lenta do povo americano, que devia sair da estirpe lusa, para continuar no novo mundo as gloriosas tradições de seu progenitor. Esse período colonial terminou com a independência.A eles pertencem O Guarani e As Minas de Prata, Há aí muita e boa messe a colher para o nosso romance histórico; mas não exótico e raquítico como se propôs a ensiná-lo, e nos beócios, um escritor português.
A terceira fase, a infância de nossa literatura, começa com a independência política, ainda não terminou; espera escritores que lhes deem os últimostraços e formem o verdadeiro gosto nacional, fazendo calar as pretensões, hoje tão acesas, de nos recolonizarem pela alma e pelo coração, já que não podem pelo braço.
Neste período a poesia brasileira, embora balbuciante ainda não já somente nos rumores da brisa e nos ecos da floresta, senão nas simples cantigas do povo e nos íntimos serões da família.Onde não se propaga com rapidez a luz da civilização, que de repente cambia a cor local, encontra-se ainda em sua pureza original, sem mescla, esse viver singelo de nosso país, tradições, costumes e linguagens, com um sainete todo brasileiro”. (BOSI APUD ALENCAR, P.136)


Através desse panorama podemos localizar o ímpeto nacionalista de Alencar, no entanto, é importante ressaltar...
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