O estado de natureza em hobbes e em locke

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  • Publicado : 6 de março de 2013
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Universidade Federal do Rio de Janeiro
Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
Autor: Mayra Fernandes de Albuquerque

Segundo Hobbes, Deus fez os homens iguais, apesar de existir diferença de força e vitalidade de espírito tal diferença não pode ser considerada uma desigualdade, para eles os homens são a totalidade de suas potencialidades, por isso são iguais. “A natureza fez os homens tãoiguais [...] que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte do corpo, [...] que o outro, [...] quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer benefício a que o outro não possa também aspirar, tal como ele (Hobbes, Leviatã – I, p. 88).
No estado denatureza os homens são movidos por suas paixões, não havendo qualquer tipo limite que lhe impeça de conquistar o que deseja, “portanto se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo é impossível ela ser gozada por ambos, eles tornam-se inimigos (Idem). Logo que desponte esse desejo de disputar, os homens “esforçam-se por destruir ou subjugar um ao outro” (Idem).
Hobbes não condena o estado denatureza dos homens, pois compreende que em um estado em que não há uma lei que os proíba eles não cometem pecado ao lutar por seus desejos. Esse desejo incessante de tudo por todos, levaria a uma guerra de todos contra todos segundo Hobbes, uma vez que nada impede que os homens desejem algo que outro homem possua, e através da guerra lhe tente tomar, os homens viveriam em constante estado dedesconfiança, onde ninguém confia em ninguém. Como o próprio autor reitera:

“E contra esta desconfiança de uns em relação aos outros, nenhuma maneira de se garantir é tão razoável como a antecipação; isto é, pela força ou pela astúcia, subjugar as pessoas de todos os homens que puder, para durante o tempo necessário para chegar ao momento em que não veja qualquer outro poder suficientemente grandepara ameaçá-lo”.
Não existe noção de justiça e injustiça no estado de natureza, para ele onde não há um poder comum não pode haver leis que julguem os homens por seus atos, e, portanto, não havendo leis não pode existir injustiça. Como consequentemente não pode haver propriedade, “nem domínio, nem distinção entre o meu e o teu; só pertence a cada homem aquilo que ele é capaz de conseguir, eapenas enquanto for capaz de conservá-lo” (Hobbes, Leviatã – I, pp. 81). Entretanto, existe paixões que fazem os homens tender à paz. O medo da morte, o desejo das coisas que são necessárias para uma vida confortável e a esperança de consegui-las através do trabalho sugere uma razão através da qual os homens podem chegar a um acordo. Os homens que se encontravam anteriormente no estado de natureza deHobbes, agora se vêem diante de duas leis naturais: o direito de natureza (jus naturale), e a lei de natureza (lex naturale), a primeira define o homem como livre para usar de sua própria natureza, e fazer tudo aquilo a que seu próprio julgamento não condena, e a segunda é um preceito ou regra, que foi estabelecido pela da razão através da qual o homem se proíbe a fazer tudo o que lhe possadestruir sua vida, impedir de alcançar os meios necessários para alcança-la, [...], “pois o direito consiste na liberdade de fazer ou omitir, ao passo que a lei determina ou obriga a uma dessas duas coisas [...] (Hobbes, p.82). Portanto, Hobbes entende como como regra geral da razão, “ que todo homem deve esforçar-se pela paz, na medida em que tenha esperança de consegui-la [...] (Idem). É função da Leide Natureza determinar o que se deve ou não fazer para que a paz seja alcançada e mantida.

A partir deste consenso em busca da paz, os homens compreendem que para conquistar a paz, e a segurança de suas vidas é necessário que abram mão de seus direito de natureza, para que, então, todos gozem igualmente da paz e da liberdade. E é através deste consenso, em que os homens abrem mão de seus...
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