O duplo

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Partout ou j´ai voulu dormir,
Partout ou j´ai voulu mourir,
Partout ou j´ai touché la terre,
Sur ma route est venu s´asseoir,
Un malheureux vêtu de noir
Qui me ressemblait comme un frère
( Alfred de Musset )




































SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
1. A FIGURA DO DUPLO
2. OS DUPLOS
3. ASCARACTERÍSTICAS DOS DUPLOS
4. GROGUE, UM DUPLO ATUAL
5. O DIÁLOGO DE GROGUE COM A TRADIÇÃO
6. CONCLUSÃO






INTRODUÇÃO

Foi publicado o livro Grogue, (1993), de Toni Brandão. Este livro se destaca em meio à grande produção por várias características que lhe conferem qualidade estética. Portanto, justifica-se uma leitura mais cuidadosa.
Embora tratando de temas bastante comuns comoas relações amorosas de um jovem, suas preocupações quanto a seu futuro e o conflito de gerações, Toni Brandão realiza um excelente trabalho com a linguagem, o que determina a boa qualidade da narrativa.
O que motivou este trabalho foi a retomada da figura do duplo, presente na literatura desde há muito tempo, que Toni Brandão apresenta numa versão mais atual e de modo muito criativo.
Pretendoverificar em que aspectos o duplo de Brandão se comunica com a tradição literária do tema. Para isso busquei auxílio no livro O Duplo (1939), de Otto Rank. O teórico apresenta um panorama histórico do surgimento e da configuração do tema acompanhado de uma análise da vida dos autores e de um estudo detalhado de outros signos relacionados à figura do duplo como a sombra, o reflexo e os irmãosgêmeos.
Contudo, o estudo desenvolvido por Rank é de cunho claramente psicológico. Interessa-me, particularmente, os dados referentes às obras que trataram do tema, uma vez que meu objetivo é um estudo comparativo. Com este, pretendo mostrar em que sentido a narrativa de Brandão retoma o tratamento dado ao tema ou em que aspectos ele se difere da tradição.
Lembro por fim que a apresentação que faço,baseado em Rank, não serve de análise exaustiva das mesmas. A caracterização dos duplos citados por Rank é o que mais contribui para esta pesquisa.

1. A FIGURA DO DUPLO

Vários autores já se ocuparam em definir essa figura .O poeta Jorge Luís Borges (1899-1985), por exemplo, afirma o seguinte: “El duplo es una figura sugerida o estimulada por los espejos, las aguas y los hermanosgemelos. Outros autores colocam a sombra entre os signos utilizados para definir o duplo.
Todos estes signos aparecem na literatura representando a bipartição ou a dualidade da personalidade humana, o surgimento de um outro “eu” tradicionalmente conhecido por duplo.
A dualidade do ser aparentemente uno e a consciência da existência do lado desconhecido, obscuro e geralmente perverso do homem têmocupado, durante e desde muito tempo a mente de inúmeros autores.
Desde a antiga lenda de Narciso a questão da alma dividida vem sendo retomada por diversas gerações de autores na literatura mundial.
Na Alemanha, segundo Rank, o assunto floresceu na era romântica e dos vários autores que escreveram sobre o tema podemos citar Heinrich Heine (1797/99- 1856) no conto”William Ratcliff”( ? ), naFrança, Maupassant (1850-1893) em “Le Horla” (1887) e Musset (1804-1880) com “A noite de Dezembro” (1835).
Alguns dos melhores autores que representaram o duplo em grande estilo passo a apresentar no capítulo seguinte.




2. OS DUPLOS

De acordo com a seleção de Rank, o autor Chamisso (1781-1838) foi um dos primeiros a dar à figura do duplo uma forma mais próxima da que conhecemos hoje. Emseu conto ¨” Peter Schlemihls wundersame Geschichte”, encontramos o personagem Schlemihl, um jovem que, tendo perdido sua amada, vende sua sombra ao diabo para recuperá-la. Ao se dar conta da ausência da sombra do namorado, a jovem Minna recrimina o seu ato. O jovem passa então a vagar, quase louco, vítima da zombaria de todos pelo fato de não possuir mais sua sombra.
Esse conto, segundo...
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