O direito

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CONCEITO DE ÉTICA

*José Renato Nalini


SUMÁRIO: LI Introdução -1.2 Conceito de Ética -1.3 Moral absoluta ou relativa? -1.4 A classificação da Ética: 1.4.1 A Ética empírica; 1.4.2 A Ética dos bens; 1.4.3 A Ética formal; 1.4.4 A Ética dos valores - 1.5 A moral cristã: 1.5.1 Santo Agostinho; 1.5.2 Santo Tomás de Aquino -1.6 Jacques Maritain – 1.7 Conclusão.

1.1 Introdução
A ética estáem todos os discursos. A propósito de qualquer acontecimento, levantam-se as vozes dos moralistas a invocar a necessidade de reforço ético. Ética, infelizmente, é moeda em curso até para os que não costumam se portar eticamente. Por isso, compreensível que muitos já não acreditem no termo ética. Trivializou-se o chamado à ética, para servir a qualquer objetivo. Além disso, a utilização excessivade certas expressões compromete o seu sentido, como se o emprego freqüente implicasse em debilidade semântica. Isso parece ocorrer com os vocábulos JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE, SOLIDARIEDADE, DIREITOS HUMANOS e também com o termo ÉTICA.
A invocação exagerada a tais palavras, em contextos os mais diversos, conseguiu banalizar seu conteúdo. Situam-se em todos os discursos, ensaios e manifestações.Não há mais fronteiras ideológicas entre elas: todos se valem do prestígio de seu conteúdo. Ante seu pronunciamento, os ouvidos se amparam em certa insensibilidade, pois acredita-se não mais haver necessidade dessa reiteração. Além de cansativa, seria desnecessária. Os conceitos já teriam sido adequadamente assimilados.
O núcleo comum a todas essas palavras é sua evidente carga emotiva. Sãoexpressões que se impregnam de sentimento. Distanciam-se do sentido racional. Não guardam enunciado singelo. Encerram a complexidade própria às questões ditas filosóficas. Reforçam a convicção "de que o objeto próprio da filosofia é o estudo sistemático das noções confusas. Com efeito, quanto mais uma noção simboliza um valor, quanto mais numerosos são os sentidos conceituais que tentam defini-Ia,mais confusa ela parece".[1]
Entretanto, nunca foi tão urgente, como hoje se evidencia, reabilitar a ÉTICA. A crise da Humanidade é uma crise de ordem moral. Os descaminhos da criatura humana, refletidos na violência, na exclusão, no egoísmo e na indiferença pela sorte do semelhante, assentam-se na perda de valores morais. A insensibilidade no trato com a natureza denota a contaminação daconsciência humana pelo vírus da mais cruel insensatez. É paradoxal assistir à proclamação enfática dos direitos humanos, simultânea à intensificação do desrespeito por todos eles. De pouco vale reconhecer a dignidade da pessoa, insculpida como princípio fundamental da República, se a conduta pessoal não consegue se pautar por ela.
Somente se vier a ser recomposto o referencial de valores básicos deorientação do comportamento, é que será viável a formulação de um futuro mais promissor para a humanidade, perplexa diante de um inesgotável incremento das descobertas científicas, a dominar tecnologias as mais avançadas mas ainda envolta no drama da incapacidade de superação das angústias primárias.
Prometia-se um terceiro milênio de paz, harmonia e ócio saudável. Em lugar disso, o inesperado surge paraaturdir. Violência e medo se aliam para trazer desconforto à alma e a sólida sensação de falência da moral. Não foi apenas o 11 de setembro de 2001 a mostrar a vulnerabilidade de todos os esquemas de uma inviável segurança. São Paulo, a unidade mais desenvolvida da Federação, teve o seu dia fatídico em 15 de maio de 2006[2]. Reforçar o aparelho repressivo, construir mais presídios, reduzir amaioridade penal, agravar as penas, tudo isso representa paliativo para os efeitos. Muito mais difícil é combater as causas. Dentre estas, não é menor a insuficiência do papel familiar de transmissão de valores, de formador da cidadania, de edificação de uma nova elite moral. A incompetência da educação para incluir a vasta legião daqueles chamados "excluídos" mas que, na verdade, nunca chegaram a...
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