A mulher rural e o trabalho na agricultura familiar: uma questão de gênero

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Edilene Pereira Guimarães1, Gilda Campos2, Ana Lídia Coutinho Galvão3
1Estudante do curso de Economia Doméstica da UFV – edilene.guimaraes@ufv.br
2Estudante do curso de Economia Doméstica da UFV – gilda.campos @ufv.br
3Professora e coordenadora do Departamento de Economia Doméstica da UFV – analidia@ufv.br
Resumo: A agricultura familiar, de modo geral, é a grande responsável pela produção
dealimentos no Brasil. Nos últimos anos tem tido maior destaque, impulsionada,
principalmente, pela questão do desenvolvimento sustentável, geração de emprego e
renda, segurança alimentar e desenvolvimento local. Essas transformações e mudanças
ocorridas no contexto brasileiro, especificamente na agricultura, vêm nos últimos anos,
contribuindo para o surgimento de uma nova estrutura do trabalhorural. O espaço rural
passou por transformações com sua intensa diversificação nas formas de organização
social e produtiva, e a participação feminina passou a ser vista em outra perspectiva,
sendo essas com especificidades próprias em relação aos processos de trabalho que,
geralmente envolvem mão de obra familiar no desenvolvimento das atividades. Neste
contexto, o presente estudo visourefletir a questão da mulher rural e o trabalho na
agricultura familiar, já que estas têm avançado bastante nos últimos anos, mas ainda
continua centrado na invisibilidade do trabalho feminino nas atividades produtivas e
reprodutivas no meio rural. Diante disso, é preciso repensar o conceito de trabalho e os
diferentes contextos e realidades relacionadas a esta variável, de modo que o trabalho damulher na agricultura familiar deixe de ser visto como “ajuda”, auxiliar ou subordinado,
e faça aumentar a visibilidade, considerando sua contribuição econômica na produção
agrícola.
Palavras-chave: Agricultura Familiar; Mulher rural; Gênero.
Introdução
A agricultura familiar durante muito tempo foi deixada em segundo plano e até
mesmo esquecida pelas políticas pública. Os recursos forampriorizados para favorecer
a grande produção e a grande propriedade. A conseqüência desta desigualdade
repercutiu diretamente na agricultura familiar e na sua base fundiária, a pequena
propriedade, que vêm sobrevivendo precariamente em meio à competição de condições
com setores da moderna agricultura brasileira (FALCÃO et al., 2003).
A partir dos anos 90, a agricultura familiar ganharelevância no cenário
brasileiro quando é reconhecida como setor estratégico para a manutenção e
recuperação do emprego, para redistribuição da renda, para a garantia da
e pomar (BURG e LOVATO, 2007).
Embora a mulher esteja inserida nesses processos, Gouveia (2003, apud
Siliprandi, 2007) é bastante incisivo na sua análise de que, a agricultura familiar,
mesmo nas suas formas mais “democráticas” nãotem sido capaz de enfrentar as
desigualdades de gênero, continuando a ser um setor onde as mulheres têm a sua
autonomia limitada, e a sua cidadania negada, seja pelo Estado (através das políticas
públicas) seja pela sociedade civil. Esta situação se explica porque tanto o Estado como
os movimentos trabalham com uma visão ideal de “família”, em que as pessoas mantêm
entre si fortes laços decomplementariedade, mas permanecem articuladas por um poder
central, exercido pelo “marido e/ou pai” (BURG e LOVATO, 2007).
Diante disso, a opressão de gênero cria, assim, empecilhos e muitas vezes
impossibilitam a completa participação das trabalhadoras, na vida pública e política das
comunidades rurais, acampamentos, assentamentos rurais e no município de uma
maneira em geral (FALCÃO et al.2003).
Assim, o trabalho masculino é atribuído valor e o da mulher, não, produzindo
uma distribuição desigual de poder e prestígio. Na sua particularidade a relação de
gênero é uma relação de poder, reforçando comportamento de opressão, exploração e
exclusão (FALCÃO et al. 2003).
Saffioti (2004, apud Siliprandi, 2007) vendo a questão de uma forma mais geral
aponta que o problema não está...
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