*****A modernidade filosofica***********************************************************************************************************************************************************************************************************************

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  • Publicado : 9 de maio de 2012
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A MODERNIDADE FILOSÓFICA E OS FUNDAMENTOS PEDAGÓGICOS DA EDUCAÇÃO MODERNA

Celso José Martinazzo

Nesta pesquisa reconstruímos parte da história dos modelos de racionalidade filosófica e pedagógica da modernidade procurando estabelecer os vínculos existentes entre o discurso filosófico e a práxis pedagógica. A leitura hermenêutica recorrente desse período nos permitecompreender as premissas filosóficas e pedagógicas ainda hoje condicionantes do processo educacional. A modernidade promove o chamado giro antropológico e epistemológico e se estrutura sobre o princípio da subjetividade. A subjetividade expressa, via de regra, a visão cartesiana de sujeito racional, pensante e consciente, referência, centro e produtor do conhecimento. A modernidade ao legitimar essediscurso filosófico procurou forjar, igualmente, um discurso pedagógico que o concretizasse. As teorias pedagógicas trazem para o campo das práticas educacionais os chamados fundamentos do iluminismo racionalista e empirista. Nesse sentido, a modernidade se caracteriza por essa indissociável sintonia entre os dois discursos.

Palavras-chave: modernidade, filosofia, educação.

Os PressupostosFilosóficos da Modernidade: A Centralidade da Subjetividade

A modernidade, compreendida na sua dimensão filosófica e pedagógica, produz uma virada paradigmática profunda em relação à racionalidade dos períodos antigo e medieval.
Segundo Habermas (2000, p. 8), Hegel referia-se a “novos tempos” e “tempos modernos” aos indicadores de um “Novo Mundo” determinado pelo Renascimento e pela Reforma,consolidado pela Revolução Francesa e pelo Iluminismo e, nesse sentido, “[...] foi o primeiro filósofo que desenvolveu um conceito claro de modernidade”. Para Santos (1999, p.136), embora, o humanismo renascentista tenha significado “a primeira afloração paradigmática da individualidade como subjetividade [...]” são os acontecimentos-chave históricos da Reforma, Revolução Francesa e Iluminismoque promovem o estabelecimento do princípio da subjetividade.
Na interpretação de Habermas (2000, p. 432) o movimento da filosofia moderna abrange o período que tem início com Descartes, recebe uma grande contribuição de Kant e estende-se, aproximadamente, até a morte de Hegel, em 1831 . A filosofia kantiana representa a essência do pensamento moderno que se explicita naquilo que Habermas denominade paradigma da filosofia do sujeito, da filosofia da reflexão, da filosofia mentalista ou da consciência. No entanto, apesar de pequenas divergências, num ponto os pensadores parecem concordar: a modernidade é, fundamentalmente, o período em que emerge e se consolida o princípio da subjetividade, cuja manifestação máxima dar-se-á pela expansão, consolidação e domínio racional.
O pensamentomoderno promoveu uma verdadeira reviravolta ontológica e epistemológica, instalando a dimensão antropocêntrica-subjetivante, centrada no sujeito cognoscente. A metafísica clássica “pode ser denominada cosmocêntrica-objetivante, no sentido de que a reflexão aqui se concentra sobre o que é pensado, ou a ordem cósmica e só depois – quando já está estabelecido o que seja a estrutura fundamental do ente –se põe a pergunta sobre o espírito do homem que pensa o ente” (Oliveira, 1995, p.109).
Com Descartes a modernidade descobre o sujeito, enquanto constituído de duas realidades distintas: o ego ou res cogitans e a res extensa. A verdade primeira e fundamental para Descartes é a existência do pensamento: “penso, logo sou”. Enquanto um ser de pensamento, o homem reconhece sua existência. O serhumano se constitui pela ação do pensar. Fundamentalmente, é por esta razão que Hegel (apud Matos, 1997, p.75), “reconhece na descoberta do eu pensante, da interioridade reflexiva, o princípio inaugural da filosofia moderna”.
A modernidade atribui à razão a faculdade de representar e de pronunciar o mundo; o pensar é a atividade conceitual complexa de estruturação das percepções de como as coisas...
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