A luta pela cidadania no complexo sucroalcooleiro

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Pelo histórico do poder privado das oligarquias de nossa sociedade, houve
ausências de denúncias que mostrassem as garantias e direitos aos cidadãos
trabalhadores como gerenciamento de um processo democrático. Há sempre a
obscuridade de agentes poderosos que dificultam tal ação. Ou também por omissão por
parte da sociedade civil organizada em denunciar a situação de miserabilidade degrande
parte da sociedade alagoana. Durante o processo de modernização do setor
sucroalcooleiro alagoano tornou-se intrinsecamente um expropriador de cidadania. Visto
que, para os trabalhadores deste setor, seus direitos trabalhistas sempre foram negados
ou parcialmente apropriados. Faz parte do cotidiano desses homens e mulheres, o
desrespeito com a ausência dos direitos mínimos deconvivência em sociedade. Dessa
forma, surge o analfabetismo, a doença pelo esforço físico, a superexploração e a
presença do poder da elite agrária de forma inquestionável. A dinâmica produtiva,
configurada no setor sucroalcooleiro que se encontra no litoral sul alagoano é
expropriadora e detentora do poder político e econômico. Falta ainda, demonstrar como
parte significativa dos trabalhadoresdeste setor produtivo é problemática, na medida em
que não sofreu alterações significativas com o aumento das riquezas produzidas. Ou
seja, o setor sucroalcooleiro se expandiu gradativamente, se tornando o quarto maior no
ranking de produção do país, perdendo para Paraná terceiro, Minas Gerais segundo e
São Paulo primeiro, e segundo levantamento realizado pelo Sindaçúcar-AL na safra09/10, na região Nordeste, Alagoas se mantém na primeira posição com 24,2 milhões de
toneladas de cana esmagadas. A indústria se modernizou, mas os trabalhadores
continuam em crescente processo de exploração e dominação, sendo inclusive
gradativamente substituídos pelas máquinas, ou sendo sumariamente aniquilados por
doenças causadas pelo excesso de trabalho e, paralelamente, diminuição dascondições
mínimas de sobrevivência.

O alto desenvolvimento das usinas contribuiu para a urbanização das cidades, a
exemplo disso, a população entre as décadas de 1970/1980 em Alagoas, teve uma taxa
de crescimento positivo, acompanhando o desenvolvimento da indústria açucareira.
Neste período cresceu 2,24%, e nas décadas de 1980/1991 caiu para 2,18%, e nos
períodos de 1991 a 1996reduziram para 0,95%, estes dados são referentes à população
rural como mostra a tabela abaixo:










Tabela -1

Taxa anual de crescimento e população residente em Alagoas

Local de
domicilio

1970

1980

1991

1996

Taxa geométrica de crescimento

70/80

80/91

91/96

TOTAL

1.588.109

1.988.591

2.514.100

2.633.251

2.242.18

0.95

URBANO

631.739

976.566

1.482.033

1.661.826

4.45

3.87

2.36

RURAL

956.370

1.006.055

1.032.067

971.425

0.51

0.23

-1.22



FONTE: IBGE – Tendência Demográfica: uma análise dos censos demográficos e contagem da população.



Esses dados demonstram que aconteceu um grande êxodo rural, devido à
ocupação das terras dointerior pelo plantio da lavoura canavieira. O Estado
experimentou um acréscimo populacional urbano de 2,36%, e um declínio rural de -
1,22%. Essa queda é provocada pelas mudanças ocorridas nas usinas por incorporar
novas tecnologias, por isso, não conseguem absorver toda mão de obra disponível do
campo, aumentando o desemprego rural e inchaços humanos nas cidades. Onde este
setor passacontrolar o mercado e provoca grande impacto ambiental e social. A mercê
desta situação fica a comunidade que oscila, tornando-se um ato negativo e vicioso em
detrimento da expulsão da população para outras regiões, pois são atinadas pelas
atividades desenvolvidas e coordenadas pelas usinas locais.

A fragilidade econômica dos trabalhadores tomou mais força com a introdução
da...
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