A literatura do esgotamento

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A Literatura do Esgotamento e a Literatura da Plenitude:
                              O Pós-Modernismo na visão de John Barth

  
                                                                                   
Ermelinda Ferreira* |
 
 
1 - Apresentação
 
                       John Barth é um escritor americano nascido em 27/5/1930 em Cambridge, Maryland, EUA. Tinha 26 anos quando seu primenro romance foi publicado, The Floating Opera (A Ópera Flutuante, traduzido para o português e publicado pela Brasiliense). Bacharel e mestre em Letras pela Universidade John Hopkins, atualmente é professor de Inglês na Universidade Estadual de Nova Iorque em Buffalo. É considerado um dosprincipais escritores americanos pós-modernos, e suas obras são:
 
            . The Floating Opera (1956)
            . The End of the Road (1958)
            . The Sot-Weed Factor (1960)
            . Giles Goat-Boy (1966)
            . Lost in the Funhouse (1972)
            . Chimera (1972)
            . Letters (1979)
 
            Escreveu ainda, nos intervalos entre os romances, doisensaios sobre o Pós-Modernismo,  publicados na revista The Atlantic:
 
            . The Literature of the Exhaustion (1967) - traduzido como La Littérature de l'épuisement; La Literatura del Agotamiento; A Literatura do Esgotamento.
 
            . The Literature of the Replenishment (1980) - traduzido como La Littérature du renouvellement; La Literatura de la Plenitud; A Literatura da Plenitude. 
            Escreveu ainda, em 1990, o artigo Posmodernismo Revisado, onde retoma e rediscute os temas anteriormente abordados. Neste texto ele diz que "a diferença entre intelectuais profissionais e artistas profissionais, que talvez sejam intelectuais aficcionados, é que os primeiros publicam artigos e ensaios para compartilhar seus conhecimentos, enquanto os segundos podemos publicar um ououtro ensaio entre novelas para compartilhar nossa ignorância, a fim de que os mais doutos possam vir em nosso socorro". (p. 95).
 
 
2 - A Literatura do Esgotamento - idéias gerais
 
            A admiração pelos contos de Jorge Luis Borges associada a uma preocupação com os destinos do romance, nascida numa época e num lugar que lhe pareciam um tanto apocalípticos, teriam inspirado JohnBarth a redigir este que se tornou não apenas um dos mais conhecidos, mencionados e discutidos, mas também um dos mais mal compreendidos ensaios sobre o Pós-Modernismo, segundo o próprio autor. "A época era o final dos anos 60, o lugar era o campo universitário de Buffalo, em Nova Iorque, transformado em campo de batalha pela polícia que lançava bombas de gás lacrimogêneo nos manifestantes contra aguerra do Vietnam; enquanto no Canada, as sirenes de Marshall McLuhan anunciavam a iminente queda dos literatos".
            Neste contexto, Barth abre o seu artigo anunciando que deseja discutir três aspectos:
 
a. Algumas velhas questões levantadas pelas novas artes "intermeios", ou "mixed-means" arts: como a pop art, os "happenings" teatrais e musicais, enfim, os movimentos de contraculturaartísticos;
b. Alguns aspectos da obra de Borges;
c. Suas idéias pessoais sobre aquilo que decidiu denominar a Literatura do Esgotamento, que estariam relacionadas aos dois aspectos anteriores.
 
a. Para Barth, falar de "esgotamento" não seria nada de muito revolucionário ou preocupante, uma vez que a história da cultura ocidental revela-se como uma busca constante de novas formas deexpressão, onde a originalidade, o ineditismo e a novidade são os valores mais almejados. Nos anos 60, por exemplo, o que se observa é uma reedição da verdadeira tradição de ruptura que se instalou ao longo do tempo contra a Tradição, ou seja, contra formas que, um dia inovadoras, acabaram se incorporando ao sistema e passaram a ser sentidas como "esgotadas" em sua capacidade de chocar,...
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