A ilha do tesouro

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  • Publicado : 16 de setembro de 2012
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Uma noite de dezembro, no tempo em que eu era faroleira, descobri um velho livro numa mala que tinha ido dar na praia. As letras douradas do título estavam quase apagadas: A ilha do tesouro. Do autor, só dava para ler os dois primeiros nomes: Robert Louis. O céu carregava-se de nuvens ameaçadoras. Voltei ao farol, acendi um bom fogo na lareira e espantei-me ao sentir vontade de tomar rum. Pus umpouco no copo para mim, instalei-me em minha poltrona, usando meu velho roupão escocês, e abri olivro. Que decepção! As páginas estavam cobertas de bolor ou roídas pelos ratos. Só o papel das ilustrações resistira. Consolei-me contemplando a primeira: do alto deu ma falésia batida pelos ventos, um rude marinheiro do século XVIII, com uma cicatriz no rosto, contemplava o mar com uma luneta decobre. Alguém tossiu atrás de mim. Surpresa voltei-me e vi o personagem dailustração avançar em direção à lareira, enquanto um forte cheiro de maresiamisturava-se ao do fogo da lareira.— Obrigado por me fazer subir ao convés — resmungou ele. — Lá dentro cheira a mofo. E pode acreditar que isso é duro para um marinheiro acostumado como vento do alto-mar. Ele indicou o livro com o queixo mal barbeado: —Os ratos, não é? Do fundo do porão eu ouvia o barulho que faziam roendo o papel! O aspecto desse homem era de assustar uma dama sozinha, e mesmo várias damas juntas. Mas o rum me dava coragem. — Quem... quem é vo...você? — gaguejei. Ignorando minha pergunta, ele virou novamente o queixo, dessa vez para a garrafa de rum: — Você não tem um caneco para um velho marujo? Em troca, eu lhe conto oscinco primeiros capítulos. Como resposta, tirei um copo do armário, enchi-o e lhe dei. Ele engoliu de uma só vez, tomou a garrafa de minhas mãos e serviu-se demais rum. Em seguida, começou a contar: — Eu me chamo Billy Bones, e ai de quem quiser cobiçar o que guardo no fundo do meu baú, no livro que Robert Louis escreveu! Ele endireitou o corpo, certo de que me impressionara: — Eu fui imediato noWalrus, o navio de Flint. Como ergui as sobrancelhas, o velho lobo-do-mar se aborreceu: — Flint, o pirata mais terrível que cruzou os mares!— Ah, sim, Flint, claro — gaguejei. Bones já estava falando de novo: E, com mil tubarões, nada mais natural que, com a sua morte, eu herdasse o mapa, não é mesmo? O mapa da ilha onde ele escondera o tesouro de toda uma vida de pirata! Mas vá explicar isso àquelespiratas, que são verdadeiros tubarões. Quando o livro começa, estão todos na minha cola, Silver, Cão Negro, Pew e os outros: a antiga tripulação de Flint. E eles não são de brincadeira, pode acreditar princesa! O que eles querem é o mapa, e mandar Billy Bones para o inferno. Bones teve um tique nervoso. Uma noite, achei que tinha descoberto o lugar certo. Uma estalagem numa baía perdida na costainglesa, a “Almirante Benbow”. Do alto da falésia, pode-se vigiar tudo o que vem do mar. Especialmente os tubarões, está entendendo, minha linda? Bones tomou uma talagada de rum e seu rosto se iluminou. Jim, filho do dono da estalagem, era um bom bacalhauzinho fresco. Você precisava ver como ele arregalava os olhos ao ver minha cicatriz e meu rabicho ensebado. “Logo ficamos amigos, e ele vigiava omar comigo.” Grumete", eu lhe dizia, "fique atento. Abra bem os olhos e me avise se algum marujo se aproximar, principalmente se ele for perneta!” Bones teve outro tique nervoso. Esvaziou o copo e recomeçou a falar: Eu passava horas sobre a falésia com minha luneta. De noite, no salão daestalagem, pagava aos camponeses da região uma rodada de bebida. Eu osaterrorizava contando meus ataques anavios na época de Flint. Falava dos pobres marujos que o capitão partia ao meio a machadadas; dos que ele preferia torturar antes e dos piratas enforcados na Doca das Execuções, balançando sua carcaça seca ao sol... Eu entoava minha canção favorita, que era a mesma do capitão Flint, e os obrigava a cantar o refrão em coro!
Bones levantou o queixo e se pôs a berrar: "Bravos rapazes, piratas de...
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