A cultura afro-americana

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  • Publicado : 17 de outubro de 2012
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A Cultura Afro-Americana
A cultura afro-americana compreende o grande conjunto de sobrevivências culturais africanas que podem ser encontradas nas Américas. Da música à culinária, das danças à religião, é quase impossível pensar atualmente num domínio da vida em que a presença dos afro-americanos, antes escravos oprimidos, não tenha adquirido com o tempo um papel de relevo, e muitas vezes desupremacia.
Não se sabe ao certo o número de africanos transportados para a América, com os quais se iniciou todo esse longo processo. Sabe-se, porém, que a população escrava foi submetida a uma tal pressão de aculturação, que as sobrevivências africanas encontradas na América não provêm em linha direta do tráfico dos séculos XVII e XVIII. Essencialmente, provêm do comércio negreiro do século XIX,mais próximo da supressão do trabalho servil e , por conseguinte, da possibilidade de que os africanos recuperassem a parte da cultura nativa adaptável ao novo meio.
O tráfico escravista trouxe para a América negros de diferentes etnias. Os grupos procedentes da África oriental (Moçambique, Angola e Congo) falavam dialetos da língua banto; os da África ocidental (Nigéria, Daomé e Costa do Ouro),dialetos da língua sudanesa. Esses negros diferenciavam-se não só pelos traços culturais (língua,gênero de vida e costumes) mas também pela constituição física. Ao mesclarem-se aos colonos europeus e às populações indígenas, sofreram toda sorte de influências, ao mesmo tempo em que contribuíam para a formação do contexto sociocultural americano.
Tanto os antropólogos que valorizam o número e aimportância dos afro-americanismos, quanto aqueles que, pelo contrário, os minimizam, reconhecem que os negros foram submetidos a pressão social exterior e forçados a se aculturarem. Voluntária e sistematicamente, os brancos tentaram destruir as culturas de seus escravos. No Brasil, por exemplo, os senhores proibiram que as religiões tradicionais africanas se manifestassem. Mas, como compensação àdureza do trabalho imposto, permitiram que seus escravos cantassem e dançassem nos domingos e feriados. Como os bantos predominavam entre os trabalhadores rurais, seu folclore se manteve, enquanto a religião se desagregava.
Domínio religioso. É no domínio da religião que os afros-americanismos têm sido mais bem estudados. A religião apresenta um sincretismo muito curioso do orixá, Nagô, e do vodu,Fon. Por um lado, esses deram lugar à macumba; por outro, amoldaram-se às regras dos candomblés nagôs, não se distinguindo deles senão por uma maior tolerância.
O folclore é o segundo campo em que os afro-americanismos foram mais estudados. A bibliografia a esse respeito (coleta de cantos, contos, provérbios, estudos críticos) é enorme. Enquanto as sobrevivências religiosas se limitam a certasregiões privilegiadas, o folclore de origem africana se estende por toda a América negra, dos Estados Unidos ao rio da Prata. Assim, esse folclore permite que os nacionalismos americanos ressaltem melhor a originalidade cultural da América em relação à Europa.
Em Nova Orleans dançava-se a bamboula no terreiro dos congos, e mais tarde a cabinda; além disso, o folclore oral de origem africanaespalhou-se por todo o sul dos Estados Unidos, graças às amas negras.
A capoeira, de Angola, antigamente praticada pelos valentões, perdeu o caráter agressivo devido às perseguições policiais, transformando-se numa luta corporal de intensa beleza plástica.
Os contos africanos se mantiveram, podendo ser divididos em dois tipos: contos de animais, cuja origem é difícil de ser identificada, uma vez queexistem variantes em diversas etnias africanas, e contos de grande fantasia, que também têm correspondentes africanos.
Domínio musical. Do ponto de vista musical, é profunda a influência dos negros no contexto da América. Os africanos cantam e dançam em todas as circunstâncias: quando alguém nasce, casa ou morre, quando trabalham ou guerreiam e, sobretudo, nas cerimônias religiosas. Nenhuma...
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