A cidade antiga - resenha

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  • Publicado : 17 de março de 2013
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Trata o presente trabalho, de uma resenha descritiva, de forma concisa, da obra-prima do historiador Francês, Fustel de Coulanges, que retrata a história civil, contando a evolução social e política do mundo Grego e Romano, concentrada basicamente nas crenças religiosas, e, por conseguinte, no culto aos mortos.

A obra, dividida em cinco partes (livros) deixa patente que é na busca nopassado, a explicação para presente: “o homem é o produto e o resumo de todas as suas épocas anteriores”, afirma. E segue, rematando que a maneira de se compreender uma sociedade, incluindo a que vivemos, é conhecer suas crenças e relações familiares a partir de suas leis e regulamentos, pois, segundo o autor, não são as regras que impõe os comportamentos, mas, pelo contrário, surgem comonecessidade de especificar e organizar os costumes em um corpo unificado de leis. “Se as leis da associação humana já não são as mesmas das da antiguidade, o motivo está em que algo do próprio homem se transformou” conceitua.

A divisão da obra em frações, pelos próprios títulos situam o leitor: Crenças Antigas, o primeiro livro; O segundo, A Família; A Cidade, é o titulo do terceiro livro; AsRevoluções, o quarto e encerra com o título Desaparece o Regime Municipal.

Na parte inicial da obra, são definidas as crenças, o modo de pensar e agir dos povos, na antiguidade. Ênfase singular à morte e à alma. Enquanto consideravam a primeira como uma mera mudança de estado, intuíam que a alma continuava a viver na terra perto dos vivos, e por isso, a importância dos túmulos e ritos fúnebres,já que continuariam a ‘viver’ debaixo da terra. Aliás, segundo o autor, essa é a origem da necessidade da sepultura aos mortos, pois a crença apregoava que o insepulto não tinha morada e por isso, não era feliz. Temia-se mais a privação do sepultamento digno quanto a própria morte.

Situações como a descrita, podem parecer inexplicáveis diante dos olhos do mundo contemporâneo. Porém, eFustel, já no prefácio da obra, alerta para a necessidade de analisarmos a cultura da época, como fenômeno meramente histórico e cultural e que jamais pode ser usado como baliza para o mundo moderno, sendo indispensável despir-se de convencionalismos a respeito desses povos e estudá-los a luz dos fatos. Em outras palavras, é nos dada a tarefa de entender que somos apenas herdeiros culturais, e o legadoGreco-Romano deve ser analisado como se fosse totalmente estranho ao mundo moderno.

Não obstante as demais contribuições, a obra literária de Fustel deixa explícito o profundo vínculo da religião com a sociedade, a família e o próprio governo. Exemplifica essa assertiva, a relação conexa e firme estabelecida desde os tempos mais antigos, entre a religião doméstica, a família e o direitode propriedade. Esta por sua vez, estava implícita na própria religião. Cada família tinha o seu lar e os seus antepassados. Esses “Deuses”(antepassados – adoração venerada ao homem da família que morria) podiam ser adorados pela família e só a ela protegiam, portanto era propriedade sua. Para corroborar essa conexão, o autor afirma que a terra pertencia aos mortos da família e aos que nela aindairiam nascer. Desligar uma da outra é alterar o culto e ofender a religião. “não foram as leis, mas a religião, aquilo que primeiro garantiu o direito de propriedade” afirma Fustel. Em decorrência, somente o filho herdava a propriedade, não existia testamento. Havia exacerbada prerrogativa ao pátrio poder. Além disso, segundo o autor, a família não recebeu da cidade suas leis, mas sim, da religião.O direito privado teria existido antes mesmo da cidade. Ao legislador foi cominada a lei originada na família onde o esposo possuía o poder de senhor do lar, de rei, de magistrado.

Ainda para robustecer o liame entre religião e governo, o autor, fruto de sua pesquisa, destaca que a religião se envolvia no governo, na justiça e na guerra, resultando necessariamente que o sacerdote...
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