A burocracia esta morta, viva a burocracia

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A burocracia está morta. Viva a burocracia! | EXAME 23.02.2000
Condenado como anacrônico e ineficaz, o modelo de gestão surgido no século 19 ainda pode ser útil para muitas empresas
Por Thomaz Wood Jr.
Imagine a cena! Local: sala de reuniões de uma inovadora empresa brasileira. Os presentes são todos jovens executivos, vigorosos empreendedores que fizeram a empresa crescer aceleradamente nosúltimos anos. O encontro corre tranqüilo, entre comentários sobre o andamento de projetos, a evolução da rentabilidade e conquistas de market share.
Então, pouco antes do encerramento, o presidente toma a palavra e muda o tom exageradamente otimista da reunião. Segue‐se um pequeno relatório sobre as dificuldades com a estrutura organizacional, a lentidão na tomada de decisão e a falta de disciplinana implementação de decisões estratégicas. No final, afirma, taxativo: "Senhores, precisamos implantar um modelo burocrático na empresa!"
Não pense o leitor que a cena se desenrolou na década de 40 ou 50. Estamos mesmo falando do ano 2000. Então poderia alguém pensar: quem, fora administradores públicos saudosistas, pensaria hoje em implantar um modelo burocrático na empresa? Às vésperas doséculo 21, tal idéia soa estapafúrdia, e certamente condenaria o postulante a olhares de descrédito e reprovação. Afinal, burocracia virou sinônimo de lentidão, apatia e ineficiência.
Porém, por mais exótico e fora de época que pareça, o velho modelo, descrito como sinônimo de eficácia e eficiência por Max Weber no longínquo século 19, pode ainda ser útil para as empresas. É o que propõe Paul Adler,um professor da Universidade do Sul da Califórnia, em artigo recente publicado na Executive, revista de gestão editada pela prestigiada Academy of Management americana.
Nos últimos anos, não foram poucos os executivos que moveram montanhas para tornar suas empresas mais aptas a sobreviver num ambiente cada vez mais complexo e turbulento. Entre avanços e retrocessos, não faltaram gerentes‐heróisbradando palavras de ordem contra o modelo burocrático. Jack Welch, que apareceu recentemente travestido de Che Guevara numa capa infeliz do usualmente respeitável periódico britânico The Economist, foi um dos que puxaram o coro. O chefão da General Electric, nos seus anos de glória, dedicou tempo e energia para destruir barreiras entre departamentos e fustigar as recaídas burocratizantes de suaempresa. Bem‐sucedido, tornou‐se um dos heróis da mitologia gerencial ianque.
Welch não foi o único. Paul Allaire, da Xerox, certa vez posou para uma capa da revista americana Fortune pintando um "X" sobre o desenho de um antiquado organograma. A manchete completava a mensagem: "Reprojetando a Xerox para vencer a competição". A dose talvez não tenha sido suficiente, pois a poderosa empresa continuasofrendo com o assédio de concorrentes mais ágeis e agressivos.
No Brasil, desde o início da década de 90, não faltou trabalho para consultores com competência para transformar silos e feudos em unidades estratégicas de negócios e processos. Afinal, reza a nova cartilha 1
que qualquer empresa que queira enfrentar o desafio da competitividade deve abandonar velhos organogramas e descrições decargo e adotar modelos organizacionais mais flexíveis e orientados para o mercado.
É claro que o monstro burocrático não cedeu facilmente. Em certos momentos, fingiu‐se de morto para que ninguém notasse sua presença. Refugiou‐se nas áreas de organização & métodos e recursos humanos. Então, voltou triunfante com as normas ISO e com os sistemas integrados de gestão, espalhando controles eprocedimentos por toda a empresa.
Não faltam casos exemplares. No Brasil, já deveria ter sido criado o clube das vítimas da ISO 9000. Ironicamente, os mesmos consultores que foram chamados para ajudar as empresas a implantar as normas agora estão sendo convocados para desengessá‐las. Não existem estatísticas a respeito, mas qualquer pessoa minimamente envolvida com o assunto sabe que uma das razões...
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