A burguesia e os rumos do desenvolvimento regional

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Universidade Federal Dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
Disciplina: Economia Brasileira
Docente: Kátia Borges
Discentes: Andrearia Fabiene Farnezi de Aquilar, Alexandra Almeida, Ana Maria Rodrigues, Cássia do Socorro Pereira, Cíntia Maia Rodrigues, Juliana Aparecida Fernandes e Lidiane de Fátima Soares.
Data: 02/10/2012

A Burguesia e os Rumos do Desenvolvimento Regional
Nossainvestigação, até aqui, aponta para quatro direções na análise do processo mineiro de desenvolvimento: A relevância da elite política; a influência dos quadros técnicos; a presença política (governamental) do empresariado; e o entrelaçamento dos três segmentos.
Quanto ao jogo político das elites o quadro é mais complexo. O empresariado se mostrou ativo sob diversas formas pressão corporativa,anéis burocráticos, além da inserção em postos de governo, indicando que a sua influência sobre o projeto de desenvolvimento foi maior que seria de esperar diante da relativa fragilidade econômica da classe.
A Burguesia Organizada
Sem nos aprofundarmos em demasia nessa vertente, competentemente percorrida por Evantina Vieira, Ignácio Delgado e outros autores convêm indicar aqui o sentidogeral do processo que teve seu momento crítico nos primeiros anos trinta, quando foi estabelecido o formato que vigora até hoje.
Esse formato produziu conseqüências relevantes do ponto de vista estratégico. As duas entidades mencionadas, que são as mais influentes da burguesia mineira, passaram a atuar de forma distinta, mas complementar. A FIEMG, orientando- se predominantemente para dentroda classe, organizando o setor industrial e preparando-o para os conflitos com outros setores. Já a associação Comercial funcionando mais abertamente, como fórum de debates e deliberações sobre política, econômica, como grupo de pressão sobre os poderes públicos e como centro de elaboração e divulgação do que se poderia chamar de projeto político empresarial. Na fase de abertura política dos anos70 começo dos 80, o arranjo descrito se apresentou de forma quimicamente pura, pois enquanto a ACM aproximava do movimento empresarial iniciado em São Paulo pela liberação do regime, a FIEMG postava-se na defensiva diante do ímpeto do movimento sindical e temia o ritmo da abertura.
Giannetti e Evaldo Lodi, que exerciam grande ascendência sobre a categoria e ao mesmo tempo se movimentavamnacionalmente, dando visibilidade à FIEMG no contexto de mobilização do empresariado que sucedeu a revolução de 1930. Essa marca Giannetti terá imprimido à FIEMG, que funcionou coesa sob sua direção. A FIEMG se torna então, “palco da disputa entre cliques com o objetivo de controlar a entidade”, enquanto “decresce a importância do grupo pioneiro da indústria siderúrgica, acentuando-se o peso docapital estrangeiro e estatal dentro do ramo”.
Quanto à Associação Comercial, sua natureza estritamente privada lhe conferia muito mais autonomia, além de imunizá-la contra a tentação do “peleguismo” que rondava organismos como a FIEMG e seus sindicatos afiliados. No entanto a ACM viveu uma grave crise advinha de pressões governamentais durante o Estado Novo. Essa crise originou-se do Manifestodos Mineiros, ou melhor, da represália do regime a Magalhães Pinto, que era o grande mentor da ACM (presidente de 1938 a 1940).
Com esse esboço da evolução organizacional da burguesia mineira, temos alguns elementos adicionais a respeito das interações das elites. Constata-se uma variação no grau de autonomia/ dependência das principais entidades empresariais diante do sistema político, que nãopode ser debitada apenas ás diferenças entre regimes (ditatorial ou democrático), mas tem a ver também com a dinâmica interna dos setores econômicos. Enfraquecido o alto comando do empresariado, o papel que vinha desempenhando em Minas, tanto na área econômica quanto na política, foi gradualmente assumido por quatro técnicos ou tecno- empresariais envolvidos na implementação de políticas de...
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