A banalidade do mal em hannah arendt

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  • Publicado : 20 de novembro de 2011
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A banalidade do mal em Hannah Arendt
Um esboço de anteprojeto monográfico
Apresentação
Hannah Arendt nasceu em Hanover, em 1906. Filha de família judia, rica e intelectualizada, chegou a ler Kant aos dezesseis anos. Na Alemanha, estudou nas Universidades de Marburgo, Friburgo e Heidelberg. Nesta última, onde se doutorou em 1928, foi aluna de Heidegger e Jaspers. Entre suas produções maisfamosas, quase todas com boas traduções para a língua portuguesa, estão The Human Condition (1958); Between Past and Future (1961); Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil (1961); A famosa trilogia The Origins of Totalitarianism - I. Antisemitism (1951) II. Imperialism (1958) III. Totalitarianism (1966); e The life of Mind (1978), talvez sua mais importante obra traduzida por A Vida doEspírito, lamentavelmente inconclusa devido ao seu passamento em dezembro de 1975.
Hannah Arendt destacou-se por sua capacidade, a bem dizer fascinante, de mobilizar os recursos de uma cultura vastíssima e colocá-la a serviço da formulação de suas grandes teses, o conjunto de suas obras é um marco na história da filosofia por iluminar o debate sobre as relações entre a filosofia e a política, queinfluenciou novas gerações dos pensadores praticamente no mundo inteiro:
Hoy en día, sin embargo, el conjunto de la producción de Hannah Arendt está siendo revalorizado, sus obras, que han sido traducidas a todos los idiomas cultos, son presentadas como un nuevo modelo para las ciencias políticas en los departamentos universitarios y la literatura que se la dedica en EEUU y en Europa se ha hechoinmensa.[1]
Através de Heidegger, Arendt aprendeu a distinguir "entre um objeto de erudição e uma coisa pensada", ou seja, que pensar não é pensar sobre alguma coisa, mas pensar alguma coisa. Entretanto, também com Heidegger, verificou a relação dilemática dos filósofos com a política cuja origem remonta a Platão. Para escapar dessa relação, valeu-lhe a lição, colhida junto a Jaspers, de fé nacompreensibilidade de todas as verdades e uma boa vontade de palavra e atenção, como pré-requisito de todo comércio humano. Jaspers foi, segundo Hannah, o único sucessor de Kant, e Kant - na leitura que faz da Crítica do Juízo - um dos poucos que chegou a uma filosofia política, pois deu-se conta que, politicamente, não existimos no singular, mas coexistimos no plural.
É no âmbito da filosofiapolítica que Arendt destaca-se pela sua abordagem do fenômeno da ruptura, da lacuna entre o passado e o futuro, que, segundo ela mesma, se evidenciou no totalitarismo, esta novidade para a qual a tradição ocidental não tinha as categorias teóricas adequadas à compreensão; isto que apareceu tanto como um desdobramento da utopia capitalista quanto da utopia socialista, conforme nos mostram as suasvertentes nazista e stalinista.
A realização plena do governo totalitário, e por conseguinte do paroxismo da ruptura, é alcançado, segundo Arendt, no campo de concentração, que constitui - para falar com Foucault - "numa síntese da prisão, do manicômio e da fábrica, onde nem sequer o mal tem grandeza"[2], e que é, para Arendt, o "surgimento de um mal antes ignorado"[3]. A personificação viva dessenovo mal seria revelada na figura do agente Eichmann, em torno do qual Arendt formularia o seu conceito debanalidade do mal, tema do presente trabalho.
Justificativa
A natureza do mal é um tema que sempre constituiu um desafio à filosofia, chegando, muitas vezes, a ser considerado um enigma e, por isso mesmo, correspondido a um convite a não ser pensado ou, quando muito, definido de modo puramentenegativo. Por outro lado, é exatamente esse caráter enigmático ou o silêncio sobre o mal que pode representar uma provocação para que o pensemos melhor ou de forma radicalmente nova.
Há uma defasagem entre o renovado interesse contemporâneo sobre o mal e as produções modernas sobre o tema. Foi Kant, antes de Arendt, quem elaborou o conceito de Mal Radical, formulado em termos de razão prática,...
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