Vivencia crista

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  • Publicado : 5 de abril de 2013
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Teologia da Revelação I


(Pe.Marco Antônio)


O cristianismo é uma religião de revelação e do livro. Fundamenta-se como a manifestação de Deus na história, através do povo de Israel e, de maneira definitiva e última, em Jesus Cristo. Este dado foi revelado e transmitido oralmente e consignado por escrito por uma comunidade que reconheceu nessa tradição e escritos uma comunicação única eoriginal de Deus.

A Igreja só pode ir transmitindo de maneira viva a Palavra de Deus se a interpreta na fé, na acolhida humilde, para si e para os outros em cada momento da história. Deste modo a tradição da Igreja, pensada e pregada é, ao mesmo tempo, uma realidade já dada e sempre em devir. Enquanto se vive uma comunicação de Deus a um povo escolhido e a sua expressão de modo pleno em JesusCristo, a revelação já está toda dada;enquanto é vivida pela Igreja ao longo da história, que caminha em direção à sua plenitude, marcada pela presença do Espírito, está sempre em construção.

Israel viveu interpretando em cada uma das gerações e nelas, de maneira viva,a história reveladora e salvadora de Deus.O próprio Jesus releu a tradição judaica, com autoridade de Filho, para a novasituação que vivia. Hoje continua fazendo o mesmo a Igreja.

Nos primeiros séculos, a Igreja teve que pensar sobre como articular a unidade monoteística de Deus com a pretensão divina de Jesus. Como entender a promessa do Espírito. Em suma,a questão da Trindade. Como aquele homem podia ser Filho de Deus. A medida que o evangelho penetra, em outra situação particular, o mundo romano, a exigência daconversão se apresenta, diante da situação de pecado que aí se vivia.Surge a questão da graça e do pecado a serem refletidos. Em todas essas questões, no fundo, trata-se de pensar a revelação nas novas situações.
O que se depreende deste momento é que a Revelação enquanto tal não era uma questão, ou melhor, a questão. Ela se apresentava como um fato. A teologia não se questionava sobre o fato daRevelação, o seu sentido, as dificuldades que UMA MANIFESTAÇÃO DE DEUS NA HISTÓRIA, podia suscitar. A revelação era dada como evidente. Era o húmus sobre o qual se alimentava a fé. É verdade que muitos padres da Igreja se preocuparam com isso, isto é, os apologistas, procurando justificar diante do mundo judaico, helênico, a fé em Cristo. Mas a conversão do Império Romano, como totalidade e a dashordas bárbaras para dentro do cristianismo, criaram um clima de homogeneidade da fé e a aceitação tranqüila da revelação.

Pode-se justificar esse dado, partindo-se do ponto de vista que a teologia é sempre uma “ciência segunda” em relação à fé. Ela nasce praticamente quando a fé , de certo modo, questionada, depara com dificuldades e oposições.
A Tradição da Igreja viveu sempre a revelação. Elafoi meditada, pregada, foi alimento. Somente nos últimos séculos, a teologia começou a trabalhar explicitamente sobre o fato, o sentido, as dificuldades da realidade da revelação. A tarefa da teologia com esta reflexão é a de descobrir com que categorias podemos entender como Deus se comunica com os homens, que se lhes revelam a si mesmos e seus desígnios salvíficos e, de outro lado, os homens querespondem na fé a tal intervenção, não unicamente como indivíduos, mas como comunidade, ou seja, enquanto Igreja.

Esta é a tarefa da teologia fundamental: ser uma reflexão crítica, sistemática, científica, sobre o diálogo do Deus que se revela e do homem que responde a tal revelação nos diferentes momentos da história. Essa reflexão tornou-se sempre mais imperiosa à medida que o mundo modernopleiteou a importância da autonomia da razão e a importância das experiências subjetivas,mundo esse que sente sempre mais dificuldade em aceitar e receber autoritativamente uma revelação. Encontramo-nos diante de um dilema da revelação divina com intervenção ou autocomunicação de Deus.

Como enfrentar essa questão, que ponto de partida tomar:

São pelo menos dois: um destinatário não crente...
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