Unidade i

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  • Publicado : 28 de março de 2012
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Prezados alunos, o texto a seguir, retirado (com algumas adaptações) da plataforma moodle, utilizado na disciplina Ética em Ambiente Virtual, UCB, poderá ajudá-los a pensar as questões postas na nossa I Unidade.


Por que, hoje, em todo lugar do planeta se fala tanto em ética? Qual o motivo de se sublinhar comportamento ético, agir ético? De que se está falando? Estarão os sujeitoscontemporâneos preocupados com o bem, com a virtude, com a boa conduta?
Na atualidade, o tema dos valores éticos quase que nos mergulham no rio da História e situam-nos numa nova agenda: eles tomam uma característica concreta, quando se referem às questões pessoais dos sujeitos e aos problemas sociais como a inclusão das minorias, as questões familiares, o meio ambiente, as questões econômicas e políticas eos conflitos entre povos e nações. E temos desafios pessoais e sociais a serem enfrentados, decorrentes dessa nova agenda.
Outras interrogações que se apresentam: Deve-se falar a verdade em todas as circunstâncias ou algumas vezes é permitido mentir? Todas as ordens devem ser cumpridas, ainda que haja povos e nações prejudicadas?
Há uma história antiga relatada por Platão no Livro II daRepública (2000), onde ele narra o episódio do anel de Giges. Este pastor cuidava do seu rebanho, quando uma tempestade levou-o a esconder-se numa caverna. Lá descobriu na mão de um cadáver um anel de ouro, tomando-o para si. Colocando-o no dedo e tocando sua pedra girando-a para o interior percebeu que o anel tinha o poder mágico de torná-lo invisível. Certificando-se do poder do anel o pastorjuntou-se aos mensageiros que foram ao Palácio em audiência com o rei. Lá chegando conspirou com a rainha a morte do rei, seduziu-a e tomou o poder, apropriando-se, também das riquezas do reino. Esta é a fábula.
Platão, no diálogo, coloca na boca de Glauco o seguinte ensinamento: não há bondade e desejo de justiça pela vontade individual, mas por obrigação. Na oportunidade em que não está sendovigiado o indivíduo comete desatinos. Ou seja: a moral para ser verdadeira, concreta, precisa ser internalizada pelo sujeito, é uma condição interior da consciência; do contrário o sujeito só age moralmente se estiver sob a vigilância da lei, que lhe é exterior.
Comte-Sponville (2001), ao comentar o texto de Platão, afirma que a narrativa induz a pensar que os homens se diferenciam pela maiorou menor habilidade em se esconder. E pergunta: “Imagina, como experiência de pensamento, que tinhas esse anel. Que farias? Que não farias? Continuarias, por exemplo, a respeitar a propriedade dos outros, a sua intimidade, os seus segredos, a sua liberdade,a sua dignidade, a sua vida” (SPONVILLE, 2001,p. 20).
A reflexão poderia continuar tomando várias perspectivas: como fazemos o que é bom,porque estamos sendo olhados pelos outros? E se fossemos invisíveis como agiríamos? Sponville alerta que a ação moral, em última análise, se conjuga na primeira pessoa, na medida em que se situa no âmbito da liberdade. Sua fala é contundente: “Ser malvado ou bom, cabe a ti escolher, somente a ti: tu vales exatamente o que quer”. (SPONVILLE, 2001,p. 21).
Por essas narrativas e argumentaçõesque nos levam à reflexão, temos presente que a ética se enraíza na subjetividade. Qual fazer é o fazer ético? Qual escolha é uma representação da liberdade do sujeito?

Subjetividade – Intersubjetividade

As investigações dos filósofos construíram elementos conceituais sobre subjetividade e objetividade que permitiram dois domínios, o subjetivo e o objetivo, que só podem ser entendidos comorecurso dos argumentos lógicos, mas que não estão assim no mundo da vida, de forma dividida. O sujeito é uma totalidade concreta. O humano vive a sua humanidade tanto como esfera de consciência, quanto como esfera do mundo, cujo reconhecimento dá-se pela consciência. Assim, pensar dicotomicamente os domínios do subjetivo e do objetivo é pensar a racionalidade fragmentada, pois o interior olha o...
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