Um homem incomum e o sonho da educação comum no Brasil

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Um

homem incomum e o sonho

da educação comum no

Brasil

An unusual man and the dream of a common
education in Brazil
TEIXEIRA, A. S. Educação não é privilégio. 6. ed. Organizada e comentada por Marisa Cassim. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1999,
256 p., ISBN: 85-7108-115-8, R$ 29,00.
Anísio Spínola Teixeira é, sem dúvida, um dos maiores expoentes da educação brasileira. Ao longo desua profícua vida,
exerceu diversas funções na esfera da administração pública e
promoveu, apesar da oposição de inúmeros segmentos da sociedade, uma significativa transformação na educação brasileira.
Para a época, sua concepção de escola era tão inovadora que foi
considerada parâmetro internacional e divulgada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura(Unesco) em outros países.
A obra Educação não é privilégio, sexta edição, foi organizada e comentada por Marisa Cassim, professora, pesquisadora e
coordenadora do projeto de reedição das obras de Anísio Teixeira
pela editora da UFRJ, em parceria com a CAPES, INEP, MEC e Fundação Universitária José Bonifácio. Ela mostra detalhadamente
como se deu o processo de criação do texto original, o qual foipublicado em 1957 e reeditado pelo autor em 1968. Nesta edição
apresentam-se aspectos sobre o processo produtivo pelo qual
Teixeira organizava seus livros a partir de artigos, relatórios e trabalhos apresentados em diferentes ocasiões. Em suas obras, o autor revela suas intenções de suscitar o debate sobre os problemas
da educação nacional e da necessidade de políticas educacionais
queviabilizassem, minimamente, a superação da concepção da
escola como formadora dos privilegiados.
A primeira parte do livro foi produzida a partir da conferência que deu nome a ele, realizada em 1953, na Escola Brasileira de
Administração Pública (EBAP), da Fundação Getúlio Vargas, no
Rio de Janeiro. A segunda parte, intitulada A escola pública, universal e gratuita, é o registro do seu pronunciamentona conferência realizada no 1º Congresso de Educação Primária de São Paulo,
na cidade de Ribeirão Preto, em 1956. A terceira parte foi incluída
por Teixeira na segunda edição dessa obra em 1968. Com o título
Educação e a formação nacional do povo brasileiro, ele apresenta
os esforços e as análises empreendidos ao longo da elaboração
do plano de reconstrução da escola brasileira. No anexo dasegunda edição, o autor inclui o parecer elaborado pela Associação
Brasileira de Educação (ABE), no qual o Conselho Diretor dessa
associação se pronuncia em desagravo quanto aos acontecimen-

Nádia Artigas
Rede Estadual de Educação
Pública do Paraná.
nadiaartigas@yahoo.com.br

tos e às críticas feitas a ele por representantes da Igreja, das instituições privadas e até mesmo do
governo daépoca, após a conferência de Ribeirão Preto.
Em sua obra, Teixeira sustenta a universalização da escola pública, mostra a importância
da ciência experimental e o avanço que isso significou para a organização da escola, na modernidade, no sentido de formar o homem comum sobre bases de formação comum. Defende uma
concepção de sociedade moderna e democrática como via para superar o resistenteconceito
de educação como apenas seleção ou especialização reforçada por uma metodologia produtora e reprodutora da cultura escolar segregacionista, pois ele compreendia que a educação para
todos era condição para que o Brasil constituísse sua identidade como nação.
Ao criticar as políticas públicas para a educação da época, chamou a atenção da sociedade
para uma tomada de consciência em relaçãoaos graves e evidentes problemas que impediam
a educação de avançar: a falta de espírito filosófico e científico na resolução dos problemas
da administração escolar; a dissociação das reformas educacionais e financeiras; a demora na
criação de um sistema de organização escolar à altura das necessidades modernas e das necessidades do país; a necessária superação do empirismo pedagógico; a...
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