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  • Publicado : 25 de março de 2013
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A pesquisa e a universidade – Marcus Tadeu Daniel Ribeiro
Resumo
O texto que se segue analisa a questão da universidade e da pesquisa científicano Brasil, considerando o problema da globalização, onde países de maior tradiçãocientífica têm desempenhado um papel hegemônico no cenário internacional,inibindo o exercício do saber acadêmico e da pesquisa em países emdesenvolvimento. O texto procurademonstrar o caráter colonialista dessa prática,apresentando exemplos históricos que ilustram as dificuldades que o Brasil temenfrentado no estabelecimento de seus centros de excelência do saber. Opresente estudo privilegia o papel da pesquisa universitária como forma deprodução de conhecimento necessário ao desenvolvimento e, especialmente, àautodeterminação do povo brasileiro.
A pesquisacientífica numa universidade constitui-se numa práticafundamental, não apenas pelos benefícios que gera na formaçãoacadêmica do aluno, posto que lhe aguça o raciocínio lógico e o espíritoinvestigativo, mas também pelo sentido estratégico que desempenha paraa sociedade, que dela se beneficia, direta ou indiretamente, em suapermanente busca das soluções para os problemas que afetam acoletividade. Por isso,mais do que uma questão adstrita apenas ao meioacadêmico e às implicações pedagógicas daí decorrentes, a pesquisa nauniversidade deve interessar diretamente às autoridades públicas,responsáveis pela definição de políticas governamentais voltadas para odesenvolvimento, o bem-estar social e a afirmação da cidadania do povobrasileiro. Mas a chamada globalização, apresentada como uma novaordemmundial, parece sugerir a revisão dessas políticas públicas, considerandoo contexto internacional dominado pelos países desenvolvidos econômica,social e tecnologicamente. Questiona-se, então, o papel como também alegitimidade que a pesquisa, especialmente aquela realizada numauniversidade de um país do terceiro mundo, passará a desempenhardentro de uma nação inserida nessa nova ordem mundial. A questãoseresume ao seguinte ponto: por que, afinal, desenvolverem-se pesquisas,não raro bastante onerosas, para se produzirem conhecimentos (nas áreas tecnológica, jurídica, econômica etc.), que, talvez, possam ser realizadaspor países com maior tradição na área científica?
Este texto pretende analisar a importância da pesquisa científica como fator dedesenvolvimento e de autodeterminação de um povo, jáque ela é um instrumento que permiteà sociedade, através dos seus centros de excelência do saber, de que é exemplo maior auniversidade, encontrar soluções para os problemas sociais, econômicos e culturais queafetam o país. Nas páginas que se seguem será abordado como o Brasil tem enfrentado esse problema ao longo dos tempos, considerando-se a lógica da dominação colonialista,fortemente enraizadaem sua formação histórica. O presente texto é um pequeno contributo para uma reflexão crítica sobre o papel do saber no desenvolvimento histórico do país,especialmente neste momento em que o povo brasileiro vive uma profunda expectativa detransformação após a última eleição.
Fala-se hoje de uma nova ordem mundial, dentro da qual a inserçãodo Brasil necessita ser permanentemente pensada ediscutida. Questõescomo desenvolvimento e pesquisa científica voltam ao cenário de umadiscussão que tem pontuado a História nacional desde o tempo colonial.Quando o país começou a ser colonizado, ou seja, quando o Brasil veio aser objeto dos interesses de natureza pecuniária e ideológica dos grandescentros europeus, que aqui atuaram por meio da intermediação do capitalmercantil lusitano, logo se definiu,no pacto estabelecido entre os setoressociais hegemônicos locais e metropolitanos, qual parte caberia a cada umna divisão do saber e, em corolário, na do trabalho.A estratégia de desenvolvimento adotada para o Brasil pelocolonizador submeteu-se de imediato aos interesses dos grandes centroseuropeus. Formava-se, através da prática colonialista do “mare clausum”, uma política que garantiria,...
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