Trabalho de historia

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1. Conceito de Ciência
De Aristóteles a Kant não se faz atenta discriminação entre os conceitos de ciência e filosofia.
E quase se pode dizer que a separação conceitual pertence à idade moderna. Só se vai tornar consciente na medida em que aumenta o hiato entre as posições metafísica e naturalista, por conseqüência da crise havida nos estudos filosóficos, desde o Renascimento, quando Bacon eAristóteles se definiam como pólos opostos da reflexão filosófica.
De um lado, a atitude escolástica, espiritualista, de raízes cristãs, aristotélicas e platônicas.
De outro, o começo da atitude que seculariza o pensamento filosófico em escolas recentes, as quais só chegam, no entanto, ao pleno amadurecimento de suas teses mais professadamente antiespiritualistas depois da abertura de horizontespela filosofia kantista.
Com efeito, foi a filosofia crítica que, embora confessadamente idealista, determinou, pela ambigüidade de interpretações a que deu lugar, os impulsos e sugestões indispensáveis de onde saíram concepções de todo opostas ao idealismo.
A ciência, segundo Aristóteles, tinha por objeto os princípios e as causas.
Santo Tomás de Aquino, por sua vez, a definiu como assimilaçãoda mente dirigida ao conhecimento da coisa (Summa contra Gentiles, 1 II, cap. 60).
Viu Bacon na mesma a imagem da essência e Wolff declarou que por ciência cumpre entender “o hábito de demonstrar assertos, isto é, de inferi-los, por conseqüência legítima, de princípios certos e imutáveis.”
Tudo que possa ser objeto de certeza apodítica é ciência para Kant.
A este conceito acrescentou outro,mais em voga, já de todo desembaraçado de implicação filosófica, e a que não haviam chegado, com máxima clareza, os seus predecessores.
Com efeito, diz Kant nos Elementos Metafísicos das Ciências da Natureza que por ciência se há de tomar toda série de conhecimentos sistematizados ou coordenados mediante princípios.1
Depois de Kant, com a ação intelectual dos positivistas e evolucionistas, torna-secada vez mais preciso o conceito de ciência, ficando quase todos acordes em designá-la como o conhecimento das relações entre coisas, fatos ou fenômenos, quando ocorre identidade ou semelhança, diferença ou contraste, coexistência ou sucessão nessa ordem de relações.2
A caracterização da ciência implica, segundo inumeráveis autores, a tomada de determinada ordem de fenômenos, em cuja pluralidadese busca um princípio de unidade, investigando-se o processo evolutivo, as causas, as circunstâncias, as regularidades observadas no campo fenomenológico.
Com Spencer baqueiam todas as vacilações e dificuldades porventura ainda existentes. Sua fórmula de caracterização é das mais perfeitas, simples e nítidas que se conhecem.
Há, segundo ele, três variantes do conhecimento: conhecimento empíricoou vulgar, conhecimento não unificado; conhecimento científico, conhecimento parcialmente unificado e conhecimento filosófico, conhecimento totalmente unificado.
Com Littré a redução conceitual de Spencer acerca dos distintos ramos do conhecimento reaparece na bela frase que os compêndios usualmente reproduzem: “a ciência é a generalização da experiência, e a filosofia, a generalização daciência”.
As quatro ciências fundamentais que a inspiração positivista, evolucionista e pragmatista do século XIX aponta como classificação inabalável seriam: a Físico-Química, que estuda os fenômenos do mundo inorgânico; a Biologia, que se ocupa dos fenômenos do mundo orgânico; a Psicologia, que abrange os fenômenos do mundo psíquico, e a Sociologia, que trata dos fenômenos do mundo social.
Separada aciência da filosofia, sem graves atritos, aparecendo a primeira como ordem de conhecimentos parcialmente unificados e a segunda como conhecimento completamente unificado dos fenômenos que servem de objeto a toda atividade cognoscitiva, resta saber se é ponto pacífico a classificação das ciências daí resultante.
Aqui temos outra vez o cisma entre espiritualistas e positivistas, pois ao lado da...
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