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Professora chamada de "macaca" por diretora ainda sofre discriminação
Episódio em escola paulista chamou atenção após decisão judicial. Pessoas expostas a assédio moral sofrem de tristeza e pânico e até adoecem
Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual
Publicado em 02/08/2011, 16:25
Última atualização em 04/08/2011, 10:32
  
São Paulo – O convite para entrar na sala da direção não poderia tersido mais hostil. “Entra, macaca”, ouviu a professora Neusa Marcondes de sua diretora. O fato ocorreu no dia 16 de março de 2009, precisamente às 20h. Foi pouco o tempo de exposição e preconceito racial, mas o impacto emocional perdura. “Eu parei, fiquei pasma. Foram  segundos em que eu saí desse corpo físico”, lembra.
Militante do movimento negro e responsável por preparar aulas e materiaisdidáticos que tratam de preconceito e igualdade, Neusa tem como filosofia não discutir, apenas buscar seus direitos. “Eu ajo sempre assim, politicamente. Não entro em debate com a pessoa sem justa causa. Eu vou agir de acordo com o que é legal”, explica.
O caso foi julgado em julho deste ano e a diretora da escola municipal em que Neusa atua foi condenada a prestar serviços comunitários. A coordenadoriaeducacional da capital paulista também definiu sanções à diretora.
O problema, agora, é lidar, no dia a dia, com as recordações e a tristeza que o episódio acarreta. Ela não dorme bem e diz que sempre acorda assustada, às vezes lembrando do fatídico "entra, macaca", e do que sentiu naquele momento. "Aquela frase volta à mente, porque nada ofende mais a pessoa negra que a palavra 'macaco'.”Tristeza e impotência
De acordo com a psicóloga Lídia Gallindo, especialista em assédio moral em instituições de ensino, é comum que pessoas expostas a esse tipo de situação desenvolvam um quadro psicológico de tristeza e pânico. “Elas ficam tristes, chorosas, deprimidas e com pânico”, descreve. “É um misto de decepção, tristeza e impotência.” Os sintomas têm origem psíquica, mas se estendem paraorganismo e, não raro, as vítimas de assédio moral adoecem.
No ambiente educacional, é mais comum ocorrer assédio de aluno com aluno – o bullying. No entanto, quando o assédio parte de um docente, a violência ganha maior amplitude. “Quando um professor em sala de aula agride um aluno, ofende, apelida e faz esse aluno passar por constrangimento, qualitativamente (essa violência) é muito mais danosa”,avalia Lídia.
Em se tratando de uma diretora de escola, da qual se “espera que tenha formação capaz de ajudar na formação de outras pessoas, é lamentável”, diz. “Mas não gosto de sair culpando pessoas. Parto do princípio de que ninguém quer ser ruim, fazer o outro sofrer. O problema vem muito antes. É preciso ter um diagnóstico sobre o que acontece com essa diretora ou qualquer outra pessoa quechama o outro por um apelido que desagrada”, pondera a psicóloga.
Para Neusa, mais de dois anos depois do assédio, ainda é incompreensível a naturalidade com que a diretora analisou seu próprio ato. “O que que tem falar que é macaca?”, ela conta ter ouvido da diretora. “Ela pode achar que não tem nada demais. Mas, para mim, mexeu com a minha humanidade, com o meu psicológico”, expressa.
Durante oprocesso judicial, a diretora teria justificado que chamou a colega de macaca, porque ela é muito ativa. “Eu era mesmo uma pessoa muito feliz, muito alegre. Mas eu deixei de ser alegre. Não tenho mais a felicidade de ir para o trabalho.”
Sem ação
Questionada sobre assédio moral na rede pública municipal, a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação da capital paulista respondeu àreportagem que não realiza campanhas sistemáticas, “porque não é comum (ocorrer assédio moral) dentro da rede (municipal)”. Também não há diretrizes para os professores evitarem chamamentos estranhos ou rótulos a alunos. “Se se ensina aos alunos cidadania, não deveria ocorrer”, indicou o órgão.
Quando a secretaria  recebe denúncias de assédio moral ou sexual, os envolvidos são investigados num “amplo...
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