Texto sobre ocologia

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Psicossomática Psicanalítica- Escola Francesa- Pierre Marty*






“levando-se em conta que a alegria não é uma das principais características de minha vida, uma comparação bastante atenta, leva-me a concluir que depois que eu me tornei doente, estou muito melhor do que outrora, antes de ficar doente”.Nesta comunicação, falarei da vida operatória e também da Depressão Essencial e dos Procedimentos auto-calmantes, peças-chave na compreensão da psicossomática psicanalítica. Através de exemplos clínicos abordarei a metapsicologia destes conceitos, evidenciando a semiologia e técnica utilizadas com os pacientes psicossomáticos.
A vida operatória é uma das grandes descobertas da psicanálise,constituindo-se numa verdadeira invenção clínica e conceitual no campo da psicopatologia. Pierre Marty, Michel de M’Uzan, Christian David e Michel Fain, foram verdadeiros aventureiros na perspectiva psicanalítica de sujeitos portadores de doenças somáticas. Esses autores, conhecidos internacionalmente como “os psicossomaticistas da Escola de Paris”, desenvolveram, junto com uma plêiade decolaboradores, um campo de conhecimento bastante vasto, abrindo o entendimento das relações entre a vida do psiquismo e o surgimento de diferentes doenças somáticas.
Recentemente, Claude Smadja, a partir de sua experiência clínica de psicanalista psicossomático, desenvolveu e aprofundou o estudo dos “estados operatórios” num contexto metapsicológico. Esta tarefa o conduziu a sublinhar a importância doterritório psíquico situado “para além do princípio do prazer”sob o signo do instinto de morte, local de procedência dos mecanismos que levam a uma distorção da evolução do indivíduo e de sua vida pulsional.
É importante destacar a diferença entre neurose atual e estado operatório: na primeira, o mau uso é preciso e atual, como no coito interrompido; na segunda, o mau uso afeta as funções. Dessemodo, ao longo do curso da vida operatória, o desaparecimento ou alteração de tudo o que é histérico, até através dos afetos, testemunha uma alteração global do dinamismo mental. Este mau uso encontra seu lugar na seguinte fórmula de Pierre Marty: ”O inconsciente recebe, mas não emite mais”. Tal fórmula associa a relação do paciente psicossomático com o terapeuta, singularizando tal procedimento comoreduplicação subjetiva: o objeto é percebido apenas como o duplo do sujeito; o objeto não emite nada além do duplo. Dito de outro modo, há um impedimento da contra-transferência. Ora, se a realidade reinante é muito mais suportada do que criada, a capacidade de sonhar é excluída.
As concepções teóricas de P.Marty se estendem sobre a existência de uma vitalidade para além da economiaestritamente psicanalítica clinicamente detectável. C.Smadja tem mostrado que a teorização martiniana, apesar de sua singularidade, não difere dos pontos de vista freudianos. É pouco provável que um analista interessado pela psicossomática não se interesse pelas opções martinianas, mesmo que privilegie um ponto de vista oriundo da segunda tópica. Podemos conceber este como condição de lhe emprestar umpensamento operatório.
Claude Smadja diz que o apagamento dos traços do passado e a magnitude de um comportamento presente são designados como uma perda narcísica do Ego enquanto objeto erótico do Id, uma “perda da faculdade de ressexualizar”, o que implicaria na existência de um tempo passado onde o prazer do Id é que prevalecia.
Smadja nos lembra que, num primeiro tempo, o psiquismo humano émobilizado pelo princípio do prazer- ao menos é desejável que isso aconteça-, e que deste avanço o Ego guarda uma afeição pela alucinação e pelo reencontro de um objeto erótico que a torne possível. O Ego guarda em si uma aptidão a seduzir eroticamente o Id, ficando assim afastado o purgatório da vida operatória, local de pura fadiga, que arruína o corpo.
Pierre Marty tinha uma concepção da...
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