Texto de ciro flamarion cardoso - os domínios da história

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  • Publicado : 27 de novembro de 2012
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Conta Capa:
Domínios da História é obra coletiva, voltada para o amplo público de professores e alunos de pós-graduação em história, podendo interessar ainda aos que atuam nas demais áreas das chamadas ciências sociais, bem como aos docentes vinculados ao ensino médio. Com o objetivo de traçar um panorama atualizado dos vários campos de investigação da história, o livro expõe os principaisconceitos e as polêmicas que se fizeram presentes na história das disciplinas e da pesquisa, com ênfase na discussão sobre a questão dos paradigmas. Na primeira parte, “Territórios do historiador”, o leitor encontra um mapeamento dos grandes campos da história: a econômica, a social, a política, a das idéias, a das mentalidades e a cultural. Na segunda parte, “Campos de investigação e linhas depesquisa”, o foco se desloca para campos mais específicos, por vezes micro-históricos, que levam em conta fatores econômicos e sociais, a exemplo da história agrária e da história urbana e empresarial, ou que se acham vinculados ao imaginário e à vida quotidiana: a família, a vida privada, as mulheres, a sexualidade, a etnia, as religiosidades, a história das paisagens. Na terceira parte, “Modelosteóricos e novos instrumentos metodológicos”, o livro apresenta uma seção metodológica. Contém orientação sobre como pensar em modelos teóricos, expõe novos métodos de análise textual (semântica e semiótica), novas fontes para o trabalho do historiador (o cinema e a fotografia), e contempla as relações cada vez mais estreitas entre história e informática. Domínios da História é obra de referenciaimportante para todos os estudiosos e profissionais da história, indicando caminhos e dilemas atuais do saber historiográfico.

Orelha:
O panorama dos estudos históricos, neste final do século XX, revela-se muito mais vasto se o compararmos com o fin de siècle anterior. Além disso, é tão variado a ponto de em muitas de suas esquinas embuçar-se a contradição. Por exemplo, se um historiador da culturaprofundamente imbuído da crítica à quantificação assistir a um grande congresso internacional de história econômica — e eles continuam existindo e são cada vez maiores — constatará que os historiadores econômicos quantificam de forma sistemática. E se aquele historiador participar de outra reunião científica, desta vez na área da demografia histórica, perceberá que, apesar de tudo o que secostuma dizer acerca das virtudes da hermenêutica e da “descrição densa”, da necessidade de manter os conceitos colados à descrição de casos que são sempre singulares, em contraste com a proclamada impossibilidade da explicação em história, os historiadores demógrafos continuam teimosamente apegados à generalização e a modelos matemáticos a que atribuem virtudes explicativas e mesmo preditivas. Ao mesmotempo, não há como negar que numerosas posições defendidas tranquilamente há alguns anos por marxistas e partidários dos Annales “da primeira e segunda gerações” tornaram-se impossíveis de sustentar ou, pelo menos, muito minoritárias entre os historiadores. Se um intelectual que foi marxista famoso e coerente, como Maurice Godelier, demonstra com argumentos fortes que “o ideal” e “o material” nãosão elementos de uma boa descrição topológica das sociedades humanas, não fica difícil continuar a falar de “base” e

“superestrutura”, por exemplo? Este não é um livro “missionário”, um “combate pela

verdadeira fé”. Sua intenção não é polêmica e, sim, o mapeamento de posições, com ênfase nos aspectos difundidos mais

recentemente nos estudos de história. Encarregaram-se de sua preparaçãodois historiadores muito distintos em suas filiações teórico-metodológicas, montando equipe suficientemente

numerosa para representar posturas bem variadas diante das pesquisas. Mas, queira-se ou não, o debate não poderá estar ausente, sendo, como é, indissociável do mapeamento que apontamos. Nosso livro é filho legítimo da profissionalização crescente dos historiadores brasileiros, fruto,...
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