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MUDANÇAS NO GRUPO

Fela Moscovici


Em decorrência de experiências e aprendizagens que realizamos, formam-se hábitos e automatismos que trazem segurança e conforto no desempenho das atividades diárias,sem grandes esforços nem desgaste. Os hábitos liberam o nosso intelecto para outras funções e, por isso, têm efeitos positivos sobre o nosso comportamento. Imagine-se ter que pensar comoescovar os dentes, dirigir o automóvel, escrever, realizar inúmeras atividades cotidianas, cada vez que é preciso executa-las...
Todavia, se existem benefícios nesse aprendizado, existem, igualmente, desvantagens e riscos. Assim como no corpo, alguns músculos e articulações que são poucos exercitados, tendem a enrijecer, também na mente ocorre fenômeno semelhante. Algumas funções psíquicas,quando se concentram em algumas modalidades, deixando outras sem exercício, tendem a favorecer um pouco de rigidez gradativa, que se traduz por comportamentos estereotipados,, não-flexíveis, chegando, por vezes, até ao extremo da radicalização.
A própria percepção, base dos processos psíquicos, pode tender a um condicionamento limitante, que não permite mais à pessoa apreender as situaçõesde maneira abrangente, com suas numerosas variáveis. Há pessoas que tendem a ver as situações sempre sobre um mesmo ângulo determinado, o que impede a exploração ampla e livre de outros aspectos para a compreensão e diagnose mais completa e apropriada.


O PROCESSO PSICOSSOCIAL DE MUDANÇA


Para que ocorra mudança nas pessoas,faz-se mister que haja algum desequilíbrio ou criseinterna que propicie alteração de percepções e introdução de novas idéias, sentimentos, atitudes, comportamentos. Esta fase inicial é chamada tecnicamente de descongelamento, representando certo grau de desestruturação, dúvida das certezas anteriores, ansiedade e motivação para examinar o novo, o diferente, o contraditório.
Pode-se alcançar este estágio através da comunicação,questionamento, introdução de novas informações e idéias que provocam surpresa, dúvida, insatisfação, interesse em continuar pensando no assunto, levando à sensibilização e à conscientização de problemas e da necessidade de algumas mudanças para resolver os problemas identificados.
A fase seguinte consiste na decisão para a mudança e sua implementação, pela aprendizagem de novos padrões de percepção,conhecimentos, atitudes e ações. É um período de incorporação de novas formas de abordar os problemas e de resolve-los, passando a exteriorizar novas opiniões e comportamentos.
Não se trata, porém, de justaposição com as aprendizagens anteriores, muitas vezes até incompatíveis, e sim de um processo de ajustamento e integração entre o já existente e o novo.
Este ajustamento significa quea mudança não é total. Não se joga fora aquilo que foi operacionalizado anteriormente. Substituem-se alguns aspectos considerados inadequados por outros, mais apropriados, de recente aquisição intelectual e emocional. A substituição tão pouco quer dizer mera troca de uma peça por outra, como se faz nos equipamentos mecânicos.
A etapa de incorporação, portanto, compreende um processamentointerno que significa transformação do conjunto como um todo , e não simplesmente acréscimos, retirados ou substituições isoladas, de maneira mecanicista.
Finalmente, com o exercício continuado dos recentes padrões de conduta, aos poucos, a nova estruturação prevalece sobre a anterior – é a fase de estabilização ou congelamento , em que se restabelece o equilíbrio após a transição damudança. Esta última fase precisa de reforço externo para que as atitudes e comportamentos antigos não se manifestem novamente.


RESISTÊNCIA A MUDANÇA


Toda mudança provoca resistência.
Em geral, as pessoas sentem medo do novo, do desconhecido, do que não lhes é familiar. A percepção vem acompanhada de um sentimento de ameaça à situação já organizada e segura das pessoas....
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