Subjetividade e individualidade

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  • Publicado : 15 de março de 2013
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O objetivo deste texto é expor, como foram construídas, duas experiências constitutivas fundamentais para as práticas psicológicas contemporâneas e o conjunto dos saberes. Tais experiências são a subjetividade e individualidade, que referem-se respectivamente à constituição de um domínio de interioridade reflexiva e a produção de um campo de singularização valorativa num espaço coletivo.Entende-se por subjetividade, a busca interior do seu “eu”. A história dessa busca interior, não visa à busca da experiência do ser universal, mas sim de como essa experiência se constitui. Foucault entendia esse processo como a “história das técnicas de si”, procurando desvendar, como os indivíduos relacionavam-se com sigo mesmo, como estabeleciam relações de trato e cuidado com sigo desde aantiguidade pagã.

Segundo Foucault, não havia na antiguidade pagã uma busca pelo conhecimento de si mesmo, pela busca de uma revelação de um eu, pelo contrário, a construção de “si”, dava-se a partir dos ensinamentos e das verdades passadas pelos grandes mestres.

Para Jean-Pierre Vernant, os gregos não viviam a experiência do eu como personalidade, como experiência da interioridade individual, mesmoque essas características se manifestassem nos feitos de indivíduos como magos e guerreiros e nos discursos de 1ª pessoa da poesia lírica. Para Jean-Pierre Vernant, esse “eu” era, na Antiguidade, como se fosse “ele”. Por exemplo: a alma não é minha, ela está em mim.

A invenção da subjetividade será gerada a partir de uma ética cristã, gestada a partir do século II D.C. Segundo Foucault, surgenesse momento a figura do “Homem Santo”, aquele que se destaca dos demais homens por buscar a Deus no interior do seu verdadeiro eu, aquele que consegue entrar em sua própria alma e distinguir os pensamentos de origem divina dos satânicos. Esse modo de vida vai se alastrando ao longo do tempo, até a nossa modernidade, nas praticas culturais, instituições e hábitos individuais. O que diferencia éque na época dos primeiros cristãos, o “eu” era impedido de ser cultuado e na modernidade, o “eu” torna-se a riqueza mais íntima e preciosa do homem. Há também uma mudança de finalidade, não de busca mais uma purificação da alma para se chegar a Deus, mas uma pura afirmação de si. Outro exercício que muda, são as técnicas desse novo cuidado de si, como se examinar esse si, que antes era através daconfissão e que depois, com a ciência moderna, acontece através das entrevistas clínicas e dos testes mentais.
A partir do século XVIII, o exame da interioridade tem como meta o acesso à verdade e a fuga das ilusões, ao contrario da Antiguidade Cristã, que visava distinguir a presença do bem e do mal em nós. Um dos filósofos responsáveis por essa abordagem interior é René-Descartes.Diferenciando-se da subjetividade, a individualidade, é o processo de constituição de um individuo enquanto unidade politica a ser destacada e diferenciada da sociedade. Falar de historia da individualização, não é negar que há diferenças entre indivíduos concretos, mas mostrar que o individuo é ao mesmo tempo fonte e alvo dos poderes.

Até o século XIII não havia a palavra INDIVIDUO (segundo Nietzsche,ser indivíduo, ser si próprio, naquela época, era muito doloroso, a verdadeira desgraça). Nas polis gregas, a autonomia, o governo de si, eram valores essenciais para a sociedade da época. Poderíamos até pensar que havia ai uma valorização do individuo, mas Foucault fala que a busca pela autonomia da polis, não se refere ao individuo, mas que “busca-se a autonomia da polis, não para si, mas atravésde si”. Ao contrário da nossa realidade, na Grécia antiga existia uma interioridade, mas não era reflexiva e menos individualizada.

A história da constituição da individualidade dar-se no fim da antiguidade. Ela é dividida em dois tempos, com a construção de dois tipos de individuo: o individuo enquanto entidade universal, autônoma e livre; e o individuo constituído como produto das relações...
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