Sociologia

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A sociologia urbana, os modelos de análise da metrópole e a saúde coletiva: uma contribuição para o caso brasileiro Urban sociology, analytical models for metropolisses, and collective health: a contribution to the Brazilian case

ARTIGO ARTICLE

Alberto Lopes Najar 1 Eduardo César Marques 2

1 Departamento de Ciências Sociais, ENSP/ Fiocruz. Rua Leopoldo Bulhões, 1480/917,Manguinhos, 21041-210, Rio de Janeiro RJ. najar@ensp.fiocruz.br 2 Departamento de Ciência Política, Universidade de São Paulo e Centro Brasileiro de Pesquisa.

Abstract In light of the historical relationship between epidemiology and geographic space and the relevance of a detailed examination of models for the production of cities, this article systematizes the notions of space/territory that haveinfluenced urban sociology since the 1970s in Brazil. The principal analytical models for large Brazilian cities are discussed in such disciplines as urban sociology, human geography, regional economics, and urban planning. The article suggests that the distribution of public investments bears a close relationship to the social structure crystallized in space. The text attempts to expand the basis fora dialogue between the literature underlying the analyses of so-called socio-spatial inequalities and collective health. Two key points are raised in the article: there are increasingly available computational techniques leading to more widespread use of variables that are amenable to spatial expression; but, these facilities lack a more sociological or humanistic approach for both themethodological design and the results of such analyses. Key words Socio-spatial inequalities, Collective health, Geographic space, Social sciences and health.

Resumo À luz da antiga relação entre a epidemiologia e o espaço geográfico e dos diversos modelos de produção das cidades, apresenta-se uma sistematização das noções de espaço/território, a partir da década de 1970 no Brasil. Discutem-se osprincipais modelos analíticos das grandes cidades brasileiras, cujas raízes conceituais encontram-se em disciplinas como a sociologia urbana, a geografia humana, a economia regional e o planejamento urbano. Sugere-se que a distribuição de investimentos públicos guarda relação com a estrutura social cristalizada no espaço. Procura-se ampliar as bases de um diálogo entre a literatura que apóia as análisesdas chamadas desigualdades socioespaciais e a saúde coletiva. Apresenta-se sugestão de arcabouço para o desenvolvimento de tipologias de análise socioespacial. Considera-se que se encontram disponíveis diversas técnicas computacionais que popularizam o emprego de variáveis passíveis de expressão espacial. No entanto, essas facilidades ressentem a falta de um aporte mais sociológico, ou humanístico.Palavras-chave Desigualdades socioespaciais, Saúde coletiva, Espaço geográfico, Ciências sociais e saúde

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Najar, A. L. & Marques, E. C.

Introdução
Desde a origem da epidemiologia, admite-se que o espaço geográfico mantém com os fatos da saúde relações determinantes. Podem-se citar alguns escritos hipocráticos, especialmente o magnífico “Aires, águas e lugares” (Hippocrates, 1998),assim como os elucidativos mapas de John Snow, que permitiram demonstrar a ligação inequívoca entre a epidemia de cólera e a distribuição de água (Snow, 1990). Mais recentemente, a distribuição espacial de determinadas neoplasias coloca em evidência aglomerados (clusters) de ocorrência, trazendo para debate a ação patógena de centrais de incineração, usinas nucleares, linhas de transmissão, pontos dedifusão de campos eletromagnéticos etc. (Wynder, 1988; Mattos, 2002; Koifman, 1998). Seria pleonástico enumerar exemplos de como a epidemiologia vem utilizando a dimensão espacial como fator explicativo ou distintivo para ponderar os pesos de fatos genéticos e ambientais. Existem numerosas definições de espaço e território, algumas opostas, outras complementares. Não se fará neste artigo uma...
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