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O poder coercivo da morte
Uma mãe enlutada é forçada a viver num mundoque não inclui a presença viva de seu filho ou possibilidade dela. Embora ela possa escolher entre lamentar ou não, ela não pode escolher viver em um mundo, onde ainda incluía seu filho. A mãe mais “normal” tentará viver seu mundo presente como se seufilho ainda estivesse vivo ou como se a morte não tivessealterado demaneira significativa sua vida, porém o poder coercivo da morte de seu filho derrota esses esforços. Ela se sente atacada tanto por seu luto quanto pela morte. Naquelas circunstâncias em que seu mundo anterior oferecia possibilidades aparentemente ilimitadas, seumundo presente exibe uma série de impossibilidadesangustiantes que a perseguem. Ela sente que deve lutar,todavia este sentimento é conflitivo.No oitavo mês deseu luto, a Sra. Fox começou a brigar com sua mãe idosa.“Eu não sei se estou brigando porque Matt não está aqui,ou se é somente o modo que estou me sentindo e eu não
A morte de um filho não é somente a morte de umcorpo ou um ser particular, mas a morte de um mundo co-constituído. É um mundo temporal vivido dia a dia, mês amês. “ A primeira vez eu fui à loja Penney”, disse aSra.Fox, “ e vi os manequins com os lindos suéteres nos jovens de lá, eu fiquei em frente a eles e apenas solucei, porque Matt vestia muitos suéteres”. Discutindo este pequenino particular, os suéteres, A Sra. Fox contou-mealgo sobre o mundo de seu filho que para ela, incluía su

 
de seu corpo, especialmente seu estômago e braços,detém por seu filho.
 
 Luto: um fenômeno essencialmente paradoxal O luto materno é um fenômeno essencialmenteconflitante, ou paradoxal
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, no qual uma mãe desejasuperar a morte, mas quer reter sua proximidade ao seufilho. Seu luto permite um “envolvimento” com seu filhoque amplia sua ambivalência quanto a “superar” a morte.Ela teme que toda relação com seu filho termine se o lutofor completado, embora queira esquecer seu filho a fimde escapar da dor de viversem ele ou ela. Ao mesmotempo, ela tenta desesperadamente manter a memória deseu filho viva.Um exemplo de ambivalência da Sra. Fox ocorreuem nosso terceiro encontro. Nele, ela mencionou que não
A temporalidade do luto
As diferenciações mencionadas anteriormenteafetam o modo que uma mãe enlutada vivencia seu passado, presente e futuro. Quando ela olha para seufuturo, a inexistência de seu filhose confronta com ela;seu futuro é privado da espontaneidade e previsibilidadede seu filho. Seu passado vem de encontro a ela a partir de seu futuro ( Heidegger, 1927/1962), quando elarecorda o outro espontâneo e previsível de seu filho,apenas para compreender que isto nunca ocorreránovamente
A maioria das mães estão certas de que seus filhosviverão mais do que elas. A morte do filho revelademaneira chocante que esta “certeza” era apenas uma possibilidade. Neste sentido, perder um filho é perder umfuturo ( Brice, 1982). A compreensão repentina da Sra.Fox de que Matt nunca assistia o casamento da filhaRebecca é um exemplo, assim como a compreensãosúbita de outras mães de que seus filhos não estarão presentes na ceia de Natal, ou não sairão mais para brincar de “truques ou travessuras”, ounão se formarãona escola secundária e daí por diante.Além disso, a morte mudou fundamentalmente ocaráter do outro de seu filho. Em parte, seu outro é paraser um nada, um corpo. Aspectos do outro de seu filhosão tão desorganizados temporariamente, tão externos aoseu desejo, que ela não pode relacionar com eles. De fato

 
Finalização
A dor de uma mãe enlutada é trançada de maneirainextrincávelcom o final da morte de seu filho. Ela nãovivencia a morte como uma separação“estatisticamente...incomum” ( p. 333), como argumentaBowlby (1961). Seu filho está morto; não há possibilidade de retorno. Ela não só luta contra a ausênciade seu filho, como também contra sua não existência, seunada, morte; e contra o fato brutal de que não há maisqualquer possibilidade de novos diálogos ativos, em...
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