Semper vivium

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Semper vivium

Viver é, para a Biologia, em suma, simplesmente manter um metabolismo, produzir energia quando comemos ou respiramos.
Mas, nessa nossa vida corrida, das noites mal dormidas, das manhãs acordadas de sobressalto e das tardes paradoxalmente atribuladas em monotonias cotidianas, quantos de nós estão apenas existindo, sem saborear a unicidade do momento ou respirar a dádiva da liberdade?
Quando foi a última vez que você olhou para o céu?
Mais corriqueiro e menos clichê que isso; quando foi que disse: “bom dia!”, assim mesmo: com exclamação no fim: “bom dia!”. Daqueles que não é dito de forma mecânica, automática, como quem tem em mente a tarefa futura a ser realizada, e sim daqueles que escapa por entre os dentes; aquele que a gente sente emergir das profundezas das entranhas, aquecendo ao passar pelo coração e rasgando o horizonte num sorriso largo.
“Vivo intensamente!”, dizem muitos.
O que é “intensamente”?
É acordar saltando de asa-delta e já aterrissar no lombo de um cavalo em disparada?
É isso intensidade? Velocidade? O fazer incessante? O riscar itens de uma lista a ser cumprida?
Por que não extrair zelosamente a grandeza ímpar dos diminutos detalhes que nos cercam? Saber o momento de parar em contemplação do agora?
Ter vagareza búdica.... vagabúdica.
Rir!
Isso mesmo! Rir das palavras, das novas palavras, das velhas, do novo uso das velhas.
Apreciar cada fonema, cada som que faz vibrar o tímpano, palpitar o coração.
Porém, talvez seja difícil, nestes tempos gris, sentir a energia correr nas veias.
Talvez estejamos com a vista turva, coberta pelas cinzentas nuvens das convenções e convicções, pautando-nos no dever de viver, de conviver, de sobreviver.
Catatônicos na praticidade diária.
Contudo, cabe a nós nos libertarmos das amarras sociais, das pesadas correntes da obrigação, das grades dos julgamentos e abrir fúlgidas asas forjadas na autenticidade, alçando voo rumo ao infinito das possibilidades.
Gritar: “Carpe diem!”;

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