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  • Publicado : 10 de outubro de 2012
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Questão II
a) Quais as explicações sobre os fundamentos do poder

Historicamente, têm sido invocados fundamentalmente três tipos de explicação sobre os fundamentos do poder. O primeiro fundamento é constituído por explicações teológicas e metafísicas, para as quais o poder é um fenômeno transcendente em relação à própria sociedade; um segundo fundamento é constituído pelas explicações detipo materialista e naturalista, que radica na necessidade, na natureza humana e numa espécie de física do social e do humano; um terceiro fundamento faz-se ressaltar o papel da liberdade humana e a natureza racional-contratual do poder.
No primeiro fundamento que é sustentado pelas explicações teológicas e metafísicas, temos como resíduo dessa teoria a confusão persistente entre Igreja e Estadocomo à exemplo como na atual Grécia onde a Constituição invoca a Deus e a Igreja Ortodoxa em termos inclusive próximos a uma teocracia e nos países árabes onde o fundamentalismo domina tanto o poder quanto todo o direito e toda a sociedade que são tributários desta identificação.
Muitas vezes essa fundamentação de poder é alimentada pela consciência popular que faz um translado subconsciente decertas representações do poder religioso para o plano do poder político como à exemplo a morte de Togliatti, ex-secretário-geral do Partido Comunista Italiano, onde muitas pessoas acendiam velas diante de imagens do defunto ou traziam consigo pagelas de tipo religioso com a efígie do morto e outros exemplos até mesmo no próprio esquerdismo marxista, mais desmistificador na intenção, que converteuem ícones religiosos sua galeria de chefes históricos como Marx, Lenine e Estaline demonstrando assim ser essa fundamentação bem mais comum e aceita do que imaginaríamos.
Poder-se-ia pelo menos concluir então que as práticas políticas correspondentes às filosofias que politizam Deus e às que divinizam César não divergem substancialmente quer no seu rigidismo, quer na sua perigosidade. Tocquevilleacreditou ainda que se iria mais longe afirmando que “o cidadão da democracia liberal tem necessidade de religião, quase que como de um complemento da lei”, pois ao incitar a certo relativismo, a democracia liberal estará a minar os seus próprios fundamentos e abrir as veias à corrupção que só o espírito religioso poderia compensar e conter.
Um segundo tipo de explicações procura a justificaçãodo poder, não numa Providência divina, mas exatamente naquilo que pode ser considerado o seu oposto – na necessidade ou na natureza humana. São as explicações de tipo naturalista ou materialista. O que o primeiro tipo de explicações tinha de transcendente é o que este, agora, tem de imanente.
A edição mais elementar e literal deste naturalismo é a que atribui à superioridade física a primeiraformação de poder. È uma explicação que só poderia ser minimamente cabal em sociedades primitivas e mesmo na sociedade mais primitiva o não podemos confundir com o galo de Barcelos, isto é com o poder que resulta da luta num galinheiro.
A força segue o poder? Não exatamente, a força na verdade segue a autoridade que muitas vezes é confundida com o poder. Em termos de força, o ato de poder erareduzido foi a sua significação como poder que trouxe a força atrás de si pois a força por si só não se movia.
Aceitar tudo isto não é negar por completo o relevo da superioridade física como fato de poder, mas hoje atos como o duelo já não são um modo de se resolverem conflitos para-políticos e o pugilato parlamentar serve apenas à política-espetáculo. No entanto, é também inegável que o peso dosexércitos ou o segredo da bomba atômica na esfera internacional sejam fatores de hierarquização entre os Estados.
A simples existência de mecanismos de sanção organizada impele à obediência e dissuade a desobediência. Os castigos penais têm uma função de edificação coletiva e exemplaridade. A exibição do poderio militar pelo Estado, em grandes paradas anuais, ajuda também, a impelir à obediência....
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