Saude metal

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  • Publicado : 8 de abril de 2013
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L.G., como o chamaremos aqui, é um rapazola de quinze anos e que vai à consulta acompanhado pelos pais no início de março de 2001. Havia sido encaminhado pela supervisora do colégio onde estudava, sendo que, na época, cursava o 1º ano do segundo grau. Tem uma irmã de onze anos de idade que estuda no mesmo colégio e sempre se relacionou muito bem com a família. Além disso, nunca teve problemas comos estudos, sempre conseguindo boas notas e era estimado pelos colegas e professores devido ao seu temperamento afável e afetuoso. A mãe relatava que ele nunca tinha sofrido doenças graves, apenas alguns problemas respiratórios ocasionados por desvio de septo e cistos das fossas nasais que foram corrigidos através de cirurgia otorrinolaringológica realizada em 30/07/99, quando contava com trezeanos de idade.
Foi a partir desse instante, mais precisamente após retirar os tampões das narinas no pós-operatório, que L.G. começou a notar “uma mudança radical” em sua fisionomia, achando que seu rosto havia ficado “inchado”, “diferente”. Desde então, passou a sentir-se irremediavelmente “feio”, evitando sair de casa e esquivando-se de festas e reuniões sociais. Passou, também, a ocupar grandeparte de seu tempo em demoradas e repetitivas observações de seu rosto ao espelho de seu quarto, ocasiões nas quais detectava, bastante contrariado e aflito, assimetrias e “deformações” em suas sobrancelhas, cabelos e nariz. A família, de início, não dera muita atenção ao fato, pensando tratar-se de exacerbação de fenômeno normal da idade, ainda mais considerando que ele sempre, desde tenra idade,preocupara-se muito com sua aparência, modo de vestir e na impressão que provocaria nas pessoas. Sempre demonstrara temperamento meticuloso e organizado, com tendência a valorizar o conceito de outras pessoas a respeito de si próprio, seus gestos, aparência e atitudes. Entretanto, com o passar do tempo, a situação agravava-se progressivamente. Ficava, a cada dia, mais e mais preocupado com os“defeitos” e “deformações” em seu rosto, intensificando as miradas ao espelho ou em qualquer superfície que refletisse sua imagem. Assim, seu comportamento terminou por constituir-se em verdadeiros rituais de conferência ao espelho, consistindo ora em rápidas olhadelas, ora em longas contemplações, ocasiões nas quais passava gel nos cabelos, “acertava” com os dedos as sobrancelhas e penteava-seinterminavelmente. Passou a evitar ir à escola e seu rendimento acadêmico deteriorou-se rapidamente.
À consulta, L.G. mostrou-se um adolescente infeliz e desolado, apesar da vivacidade e vigor próprios de sua idade. Entabulou conversa facilmente comigo, demonstrando ser naturalmente comunicativo, educado e inteligente. Tratava-se de um rapaz de estatura média, dotado de boa compleição física, tez morenae cabelos pretos, cuidadosamente aparados e penteados com gel, que emolduravam um rosto oval e bem proporcionado em seus traços fisionômicos. O nariz era algo saliente e as sobrancelhas espessas, mas em nada destoavam do conjunto de suas feições como um todo, que poderia descrever-se, em síntese, como agradável e harmônico. Disse que se julgava “bonito” antes da cirurgia a que se submetera, masque acontecera “alguma coisa” que “transformara seu rosto para pior”, tornando-o “feio”. “Agora não tenho coragem de expor a público essa coisa horrível que é o meu rosto”, afirmou. Obviamente, L.G. não levou a sério meus argumentos de que era um rapaz normal e bem apessoado, pois sorriu com descrença, balançando negativamente a cabeça ao ouvir minhas palavras e nem, tampouco, pareceu interessar-sequando tentei explicar-lhe que tudo o que sentia era característico do distúrbio do qual fora acometido. Voltou a reafirmar, como sempre, que sua única esperança era fazer uma cirurgia plástica “para mudar seu rosto”. E seus pais, pessoas simples, pareceram entender apenas parcialmente os meus esclarecimentos médicos, mas dispuseram-se a Receitei cloridrato de fluoxetina (20mg/dia) associado...
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