Resumo do ivro cartas a uma jovem psicanista

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  • Publicado : 16 de abril de 2013
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Cartas a uma jovem psicanalista

Bem no início de Cartas a uma jovem psicanalista, Heitor O’Dwyer de
Macedo diz “foi o teatro que fez de mim o psicanalista que sou”. Fazendo uma colocação inicialmente enigmática, mas que vai dar o tom às 36 cartas que compõem o livro e são endereçadas a uma jovem analista francesa com quem Heitor se propõe a dialogar. Radicado na França desde 1968,brasileiro, Heitor era diretor de teatro antes de tornar-se psicanalista. Publicou, entre outros, Ana K, a conjugação do corpo: história
de uma análise e Do amor ao pensamento. Seu livro, Cartas a uma jovem psicanalista foi publicado em 2008 na França.
Cartas a um jovem psicanalista, remete, ainda, à correspondência trocada entre Freud e Fliess, documento importante do período de construção dapsicanálise. Heitor, cuja intenção é transmitir a paixão e a alegria necessárias ao fazer psicanalítico, compartilha com estes as vantagens trazidas pelo gênero, que propicia vasta liberdade para que se abordem os temas mais variados, desenvolvendo novas reflexões e levantando indagações que não necessitam extenso aprofundamento. O resultado final é de um texto, ao mesmo tempo, fluido e prazeroso, servetanto para interessados pela psicanálise, quanto para profissionais da área.
Muitos tópicos são abordados nas cartas, dentre os quais: questões
relacionadas ao enquadre (poltrona ou divã, honorários, humor e confiabilidade), ao
processo analítico (transferência, resistências, interpretação e ensino), à psicopatologia (histeria, perversão, psicose) e à leitura de Freud contraposta a outrosautores
(principalmente Lacan e a produção inglesa). Observador, por vezes mordaz, Heitor
não se esquiva de abordar, paralelamente, pontos mais sensíveis e espinhosos do
trabalho analítico, expondo arrogâncias, filiações teóricas paralisantes e tecnicismos
exagerados na condução do tratamento. Seu livro tem o mérito de revisitar lugarescomuns do fazer do analista e, falando do que raramente sefala por pertencer ao
campo do “evidente”, abrir novas possibilidades de reflexão e crítica.
Dois eixos principais de reflexão perpassam todas as cartas: a conflituosa
imbricação entre teoria e prática na clínica e a concepção pessoal do autor sobre
o sentido e a responsabilidade dessa profissão – sua ética. Por essa ótica, o livro é
quase uma biografia do percurso psicanalíticoempreendido pelo autor. Os diálogos constantes com seus autores preferidos – Freud, Winnicott, Ferenczi, Spinoza,
Joyce McDougall, Piera Aulagnier, Michel Neyraut .
Mas, principalmente, é na dinâmica dos encontros concretos – com Françoise Dolto,
Gisela Pankow, Hélio Pellegrino e Victor Smirnoff – que o autor forja a sua concep-
ção de uma ética essencial à psicanálise – a da amizade.
Para Heitoro encontro analítico com os pacientes, com colegas e supervisores
são todos de uma mesma tessitura. O vínculo que se estabelece e sobre qual se desenrola qualquer pensar ou processo analítico que mereça esse nome é o da amizade e
da alegria. Na carta “A transferência e a amizade” o autor fia-se em Winnicott para
dizer que “Está tudo dito: a matriz da amizade é a mesma da transferência, eessa
matriz é uma relação que permite experimentar a solidão como um lugar que é bom
estar” (p. 139). Durante o tratamento, o trabalho de análise funcionaria como um
objeto transicional, espaço que reúne e separa o par analítico, e a amizade, como um
operador do pensamento quando o encontro entre os dois protagonistas se ocupar
da invenção da vida a partir do reconhecimento das produções doinconsciente. A
intuição e o entendimento decorrentes desse processo viriam acompanhados de um
afeto de uma qualidade particular: a alegria.
Em Cartas a uma jovem psicanalista Heitor concebe a transferência como a
tentativa de reinscrição de um passado, de um novo desfecho para a história infantil
do paciente.
Nesse sentido, filia-se a retomada da teoria do trauma feita por Ferenczi...
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