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Texto: FURTADO, Júnia Ferreira. O OUTRO LADO DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA: Pacto Colonial e Elites Locais. LPH: Revista de História, UFOP, n.4, p.70-91, 1993/1994.



O texto O OUTRO LADO DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA: Pacto Colonial e Elites Locais, publicado em 1994, na Revista de história da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), foi escrito por Júnia Ferreira Furtado, Historiadora,pesquisadora do período colonial e professora da Universidade Federal de Minas Gerais desde 1992. A mesma procura mostrar em seus escritos, uma nova visão a respeito deste evento, buscando apresentar uma versão que contrapõe a historiografia tradicional sobre o tema, essencialmente através de documentações do Arquivo Público Mineiro.
A autora afirma, que muitas interpretações definem o movimento comonatural para o período, concluindo que o aumento das tensões era inevitável em meio a um sistema em que a metrópole exercia total poder e que por consequência limitava o desenvolvimento econômico da colônia. A Metrópole por sua vez, agia no sentido de que não houvesse situações que colocassem em risco o poder de Portugal. Assim, para alguns historiadores como Fernando Novais, a Inconfidência tinhaum arcabouço nativista, trazendo para a colônia um “espírito nacional” que rompia pela primeira vez com o pacto colonial.
Entretanto, Júnia Ferreira, vai trabalhar com as relações existentes entre a Colônia e a Metrópole, e entre as elites locais e o Estado português que se montou nas Minas, afirmando que dessa forma é possível compreender de uma forma mais ampla a Inconfidência Mineira. A mesmadefende a ideia de que a elite mineira buscava obter vantagens através de cargos públicos, contrabando e não pagamento de impostos, e que de outro lado, a Coroa portuguesa, pretendia impor sua autoridade e lucrar com a colônia. A princípio a autora fala da administração colonial, afirmando que grande parte das produções historiográficas dizem (ainda que esse não fosse o foco central) que aInconfidência foi pensada a partir da forma excessiva, exploradora e controladora, que Portugal administrava as Minas.
Neste momento do texto, a mesma aponta algumas pesquisas, como a de Raymundo Faoro, que define que a administração colonial portuguesa cuidava de todas as esferas da vida pública e privada e via seus funcionários apenas como executores de seus mandos. Já Caio Prado Junior, afirma que aadministração trazida nos moldes portugueses para a colônia não foi tão eficaz, pois apesar de produzir poderosos governantes, em alguns lugares os mesmos abusavam do poder que lhes cabia, e em outros não exerciam sua autoridade. A visão de Laura de Mello e Souza, bebe nas duas teorias, a mesma diz de uma contrariedade persistente na administração portuguesa, que ao mesmo tempo que desejava umgoverno despótico, não queria “maus vassalos”. Em uma última análise, apresenta a visão de Kenneth Maxuwell, na qual acredita que a política pombalina fez com que a elite dominante alcançasse altos postos nas Minas, fazendo com que o Estado presasse por interesses pessoais, desprezando os públicos.
Por fim, a autora afirma que as relações entre o Estado metropolitano e a sociedade colonial eramcomplexas, pois a Coroa buscava estabelecer uma administração centralizadora e que rendesse lucros para a Metrópole, entretanto, o que acontecia nas Minas fugia ao controle português, criando possibilidades para o contrabando, o abuso do poder e das relações de privilégio.
Nesta linha, Júnia Furtado, inicia uma análise sobre as interações entre o público e o privado, afirmando que aadministração e a sociedade colonial estavam intrinsecamente ligadas, a população mineira dependia do Estado para cuidar de questões públicas, mas também das privadas, como por exemplo disputas entre vizinhos. Neste sentido, o Estado centralizava toda a vida colonial e criava no imaginário da sociedade uma relação de dependência, que segundo a autora, perdura até a atualidade. A mesma afirma que o...
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