Resenha

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 12 (2879 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 9 de outubro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
REVISTA DIREITO GV, SÃO PAULO
7(1) | P. 333-340 | JAN-JUN 2011
13 : 333
Ofilósofo turinense Norberto
Bobbio, que representou, no
século passado, para cultura
política italiana do pós-guerra o mesmo
que o filósofo Benedetto Croce representava
no pré-guerra, não era apenas
dedicado ao estudo dos temas recorrentes
do pensamento político ocidental,
mas – pode-se dizer – possuía igualmenteseus próprios temas recorrentes.
Entre eles, listados em sua Autobiografia
(1999), existe uma dicotomia à qual
dedicou aquela que pode ser considerada
– e assim ele próprio a considerava –
sua última fase intelectual, anterior
apenas aos escritos dedicados à sua
“Despedida” (que, como é costumeiro
na carreira bobbiana, também são inúmeros):
o tema da guerra e da paz,
considerados, assimcomo público e privado,
direito e poder, Estado e
sociedade, etc., como uma dicotomia
antitética. Ao tema da guerra e da paz,
são dedicados os artigos organizados em
Il problema della guerra e le vie della pace
(1979, 1984, publicado no Brasil pela
Unesp em 2003) – que o autor viria a
divulgar no Brasil, em 1983, tendo passado
pela USP e pela UnB –, Il terzo ausente
(1989) e Una guerragiusta? (1991, que
Rafael Salatini
BOBBIO, A PAZ E OS DIREITOS DO HOMEM
bobbio, peace and the human rights
RESENHA
BOBBIO, NORBERTO. O terceirO ausente – ensaiOs e
discursOs sObre a paz e a guerra. TRADUÇÃO DE D.
VERSIANI. SÃO PAULO: MANOLE, 2009. 309 P.
BOBBIO, A PAZ E OS 334 : DIREITOS DO HOMEM
REVISTA DIREITO GV, SÃO PAULO
7(1) | P. 333-340 | JAN-JUN 2011
reúne textos sobre a guerrado Golfo,
ainda inédito no Brasil), obras que podem
ser consideradas complementares (tanto
que em algumas seções soam repetitivas).
A publicação brasileira, com vinte
anos de atraso, de O terceiro ausente, pela
editora Manole e pelo centro de Estudos
Norberto Bobbio, traz ao leitor brasileiro
a mais extensa coletânea de textos
bobbianos dedicados ao tema da guerra e
da paz, ou, de formamais clara, à objeção
de consciência que o filósofo italiano
sempre cultivou a respeito da instituição
da guerra, afirmada num assente e
inquebrantável pacifismo que apenas um
espírito que conheceu de muito perto
duas guerras mundiais poderia tão esforçada
e criteriosamente alimentar. Se,
como sempre afirmou Bobbio, a guerra
e a paz formam, conceitualmente, uma
dicotomia inseparável,ainda que antitética,
pode-se dizer que é ex parte pacis, e
não ex parte bellum, que o autor se coloca
ao longo de todos os textos que compõem
o livro. Uma posição que poderia
ser resumida apenas numa máxima do
tipo Se vis pacis, para pacis, invertendo o
velho, e muitas vezes correto, adágio
romano Se vis pacis, para bellum, que,
para Bobbio, só pode ser considerado
admissível até oadvento, a partir de
1945, dos armamentos nucleares na
política internacional.
O livro, organizado por Pietro
Polito (cuja entrevista “O ofício de viver,
o ofício de ensinar, o ofício de escrever:
Entrevista de Norberto Bobbio a Pietro
Polito” foi publicada recentemente na
revista Estudos Avançados, n. 58, v. 20, de
dezembro de 2006, nas pp. 189-209), se
divide em quatro partes: a primeiraversando
sobre as relações internacionais
no contexto da era nuclear, a segunda
abordando as relações internacionais sob
o ponto de vista dos direitos do homem,
a terceira reunindo um conjunto de discursos
pacifistas feitos pelo autor, e, por
fim, a quarta seção reunindo os artigos
de temática internacional publicados no
jornal La Estampa. Como escreve Polito,
os escritos, que vão de 1961 a1988,
“movimenta[m-se] constantemente
entre a reflexão teórica e o engajamento
político” (p. 302), ou, na terminologia
bobbiana, entre o estudo analítico e a
axiologia, a primeira incluindo sobretudo
as seções 1 e 2, o segundo, as seções
3 e 4.
A primeira seção, intitulada “Guerra
e paz”, é composta de quatro textos.
“Paz ou liberdade?”, de 1961, reproduz o
prefácio escrito pelo autor...
tracking img