Resenha - zygmunt bauman

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  • Publicado : 6 de abril de 2012
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Resenha - Zygmunt Bauman
Nas décadas de 60 e 70, o capitalismo estava sendo contestado de todos os lados. Além das greves freqüentes, estudantes e minorias se rebelavam e articulavam, no discurso e na prática, a miséria do cotidiano – preconceitos, sexualidade restrita, vida tediosa e programada – às exigências de uma ordem capitalista. E diante da crua realidade do “socialismo”, o direito deser diferente dos outros e de si mesmo tornou-se modo de permanecer revolucionário apesar das notícias amargas sobre os resultados das revoluções. A partir da década de 80, porém, o capitalismo ressurge triunfante, sem adversários, sejam estes reais ou postulados. A concentração de renda aumenta, o desemprego torna-se endêmico e a fome se espalha pelo mundo; mesmo assim, a crítica se cala. Pior, odireito à diferença torna-se receita de livro de auto-ajuda. No final do século XX e início do XXI, sociólogos de diversos matizes são obrigados então a se colocar três questões: que nova sociedade é esta? Que tipo de discurso crítico é preciso construir? Que responsabilidade o discurso do direito à diferença pôde ter no esvaziamento recente da crítica ao capitalismo? Essas questões formam ohorizonte do novo livro de Zigmunt Bauman, Modernidade Líquida. Bauman é um ensaísta prolífico; a cada ano, nos deparamos com um novo título seu nas estantes. A singularidade de Modernidade Líquida é que, nele, Bauman não se limita a coletar signos e conceituar a distância entre o presente e nosso passado recente; preocupa-se também com a atualidade dos discursos críticos próprios da época moderna,discursos que de início questionaram a ordem social tendo em vista a possibilidade e a necessidade de uma nova e boa ordem a ser construída no futuro, mas que, depois, passaram a se inquietar com as ameaças implícitas à liberdade individual na imposição por alguns de sua visão do bem. O livro, como sugere seu título, parte da mensuração da proximidade e distância entre o presente e o passado recente.A proximidade é a constatação de que continuamos modernos, simplesmente porque a Modernidade significa o fim da crença em uma ordem revelada e mantida por Deus e a assunção de que “os humanos encontram-se no mundo por conta própria”. Deste modo, o que o homem fez pode ser desfeito: a Modernidade é a época da história que pensa a si mesma historicamente. Esta forma de aproximação obriga a construira diferença. Nosso passado recente torna-se a fase sólida da Modernidade. Embora Marx parta da constatação de que tudo que é sólido

desmancha no ar, esta fase inerentemente transgressiva só se dava a tarefa de liquefazer os sólidos herdados da tradição para construir bons e duráveis sólidos no futuro. Por isso, Bauman escolhe como sua metáfora a fábrica fordista; afinal, o sonho de Lênin eralivrar este modelo do caos do mercado e estender a “organização científica do trabalho” para a sociedade como um todo. A boa ordem a vigorar no futuro seria inimiga da contingência, da variedade e da ambigüidade. Deste modo, a Modernidade pesada, embora refletisse normativamente sobre a sociedade e confiasse no vínculo entre ação intencional dos indivíduos e transformação coletiva da sociedade,tinha uma tendência totalitária. A ordem a construir era imaginada como homogeneidade compulsória. Inevitável, assim que a teoria crítica, desde a Escola de Frankfurt ao menos, temesse que a primeira vítima da boa ordem fosse a liberdade individual e se desse como principal objetivo a defesa da autonomia e a luta contra a invasão da esfera privada pela esfera pública. Nosso presente, a ModernidadeLíquida, é uma versão privatizada e individualizada da Modernidade. Só acreditamos ser capazes de transformar a nós mesmos para nos preparar para as inumeráveis transformações sociais que experimentamos cotidianamente. Os sólidos que se derreteram na fase líquida da Modernidade são os elos que entrelaçavam os projetos individuais em projetos e ações coletivas. Cada um por si procura ser flexível...
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