Resenha sobre os principais conceitos de georges canguilhem

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  • Publicado : 16 de novembro de 2011
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Georges Canguilhem em “O normal e o patológico” levanta uma importante e necessária discussão a cerca de conceitos como: saúde, doença, normal, patológico, norma e padrão. Tais conceitos ainda hoje são discutidos e permeiam a prática de todos aqueles que se dedicam ao campo da saúde; campo no qual o profissional da Psicologia também está inserido. Esta discussão deveria interessar também ou sertransmitida a toda sociedade uma vez que estes conceitos participam do cotidiano dos indivíduos e que, assim como os profissionais da área de saúde, podem utilizar ou até mesmo vivenciar este conceito de forma equivocada e inadequada e dessa maneira ser transmitido a cada geração.
Podemos percorrer pelo pensamento de Canguilhem pontuando suas idéias principais.
Estamos inseridos numa cultura queinstitui a busca pela forma ideal, pelo corpo perfeito. Sendo assim, saudável é aquele que consegue ser belo, forte e magro. Posto esse padrão, essa norma, todos aqueles que fogem a ela são rejeitados e considerados como “desvio de funcionalidade, erros de programação ou falhas de desempenho.” (Bezerra, 2006; p.93). Podemos entender, assim, que aqueles que se desviam dessa norma estão fora damédia instituída e passam a ser considerados como anormais. Nesse momento é importante lembrar que a média em si não existe. A média é um valor arbitrário que tenta fazer a descrição ideal de um grupo, o que acaba por suprimir as singularidades existentes nesse grupo. A média é efeito de um cálculo e é apenas descritiva, ou seja, descreve uma apresentação e que por si só não é capaz de definir se umaapresentação é boa ou ruim. Para este fim, precisamos de um juízo de valor sobre a apresentação. A média é insuficiente enquanto parâmetro para definir o que é normal ou anormal, pois o anormal pertence a um campo valorativo e não meramente descritivo. O anormal é o que está fora da média e é considerado de forma negativa, ou seja, é uma diferença negativamente valorizada.
Para Canguilhem (2002) oque é considerado normal em uma determinada época pode não ser assim considerado em outra. O normal se constrói a partir da sociedade, da época, dos costumes e dos valores. Canguilhem substitui o conceito de normalidade, entendido como a adequação a uma norma específica “eleita” a melhor, pelo conceito de normatividade vital que é a capacidade do ser humano de instituir novas normas defuncionalidade diante de situações adversas com o intuito de prolongar a vida. O homem normativo é capaz de romper normas e criar normas novas, se faz importante entender o conceito de normatividade vital considerando o homem e o seu meio porque estão em constante relação e não podem ser considerados isoladamente. O homem normativo deve ser capaz de atender às demandas do meio em que está inserido. SegundoCanguilhem (2002), é relação entre o ser vivo e o meio que faz deles normais um para o outro. O meio passa a fazer parte do indivíduo, de sua natureza e da mesma forma, ao criarmos normas, o indivíduo modifica o ambiente em que e está. Existe uma relação de reciprocidade entre os dois.
Segundo Bezerra (2006), é possível perceber na saúde e na doença o princípio de normatividade vital.
Doença éuma construção valorativa. Se alguma manifestação física ou anatômica for considerada indesejável ou prejudicial passa a ser considerada doença.
O conceito de doença pode ser entendido, ainda, como um conjunto de sinais e sintomas que pressupõem um tratamento específico. A medicina elege uma norma considerada ideal e o que desvia dessa norma é considerado como doença.
Doença, porém, não é somenteum desvio em relação a norma ou às estimativas fisiológicas, é também sofrimento e implica em patos (sofrimento). A doença pode ser entendida, então, como uma normatividade inferior, ou seja, uma capacidade de instituir novas normas de funcionamento que permitam ao homem lidar com as adversidades do meio. Doente é aquele que perdeu ou teve diminuída sua capacidade normativa, mas quem deve...
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