Resenha "parceiros do rio bonito"

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  • Publicado : 25 de novembro de 2012
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Universidade de São Paulo
Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas
Departamento de Sociologia
FLS 0523 – Temas da Sociologia Brasileira
Docente: Professor Dr. Luís Carlos Jackson
Discente: Teófilo Joaquim da Silva Junior
N° USP: 5337530

Resenha sobre a obra “Os parceiros do Rio Bonito”, de Antônio Cândido.

Para Marx a sociedade de sua época caminhava para se caracterizar pelanecessidade de aumentar incessantemente a massa de produtos comercializáveis, transformando, no limite, tudo em mercadoria, pela ampliação do espaço geográfico a fim de que mais populações participassem do modo de produção capitalista, e pela tendência de se criar permanentemente novos bens e novas necessidades. O sistema de acumulação ilimitada de riqueza estava em pleno curso.
A obra de AntônioCândido parece confirmar as “previsões de Marx”. Sua descrição do mundo rural busca compreendê-lo como um modo de vida e um modo de pensar que tem sua referência nas atividades agrícolas e pecuárias, mas que subsiste mesmo pressionada pelo modo de produção capitalista. Sua constituição, ainda que precária, luta fortemente para manter-se. Tal fato para Peter Berger é uma característica dos mundosconstruídos pelo homem, são mundos sempre precários. Berger afirma, no entanto, que a luta para impedir que o sistema entre em colapso, que se estabeleça o caos ou anomia, os grupos sociais tendem com toda a força a buscar a manutenção do seu modo de vida.
A sociologia de Cândido, objetiva propor uma interpretação sociológica da vida social dos grupos sociais rurais. Sua chamada “sociologia dosmeios de subsistência” tem ponto de partida na questão da forma de obtenção das principais fontes de alimento para interpretar as diversas dimensões da vida social.
O autor descreve de uma maneira bem estruturada a forma de subsistência e as instituições políticas das populações rurais. Passando pelas variadas formas de subsistência, Cândido faz uma espécie de inventário das relações daquelesgrupos sociais.
A dinâmica do texto nis permite determinar com maior precisão os verdadeiros mecanismos de mobilidade social. Trata-se de um texto onde o autor nos apresenta descrições seqüenciais que vão se entrelaçando e tomando corpo, de forma a nos permitir uma melhor compreensão acerca das instituições do mundo rural.
Para Cândido, a expansão da economia capitalista causa grande impacto nacultura caipira, provocando sua crise e obrigando-a a elaborar um novo "ajuste ecológico" para justamente evitar, ou ao menos retardar, sua derrocada.
Pressionada pela modernização capitalista, a cultura caipira tende a extinguir-se, mas é ainda capaz de criar "formas de resistência". A resistência do caipira é uma resistência típica de processos sociais que visam a evitar a anomia, o caos.
Ométodo de investigação de Cândido se constrói ao longo da própria pesquisa, durante a qual a sensibilidade do pesquisador demonstra-se presente. Referindo-se ao campo das construções imagéticas do homem rural e sua analogia com o civilizado ou primitivo (termo este que faz emergir a influência evolucionista que permeia parte da obra de Candido), elementos que ora se aproximam ora se distanciam dessaimagem vão sendo percebidos no decorrer da obra. Ele apresenta uma espécie de etnografia com um embasamento bem articulado e consistente.
Os elementos trazidos ao texto trabalham com a idéia de processo que tende a “civilizar” num claro contraponto à figura do caipira de Cândido. Ele trabalha conceitos de economia de subsistência e vida social de tipo fechado, que definiu como sendo a vida caipiratradicional.
Mudar as condições de vida do caipira é condená-lo à extinção, dada a precariedade bergiana da cultura caipira e sua idiossincrática interação com o meio ambiente e social no qual está inserido.
A vida caipira tradicional, esboçada por Cândido, emerge no momento de decadência das bandeiras na primeira metade do século XVIII. O relativo sedentarismo que o caipira passa a...
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