Resenha mercados ilegais

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Mercados ilegais, redes de proteção e organização local do crime no Rio de Janeiro – Michel Misse, 2007

Já no início do texto, Misse enfatiza a necessidade de separar a criminalização conceitual da incriminação real, para poder diferenciar atividades institucionalmente delituosas/criminosas de mercados informais. Assim como diferenciar mercados informais considerados “legais” dos“ilegais”.


O autor foca o texto nas situações nas quais há incriminação dos mercados informais ilegais e na incriminação de seus agentes.


O próprio mercado informal é segmentado por alguns setores da sociedade na relação de troca ilegal tolerável e intolerável.


Os comerciantes de mercadorias informais são diferenciados pelo tipo de produto que vendem. Os que vendem produtospiratas e contrabandos, são chamados de camelôs; e os que vendem drogas são chamados de traficantes, a mesma terminologia que faz referência aos grandes manipuladores do tráfico internacional é usada para os vendedores de varejo.


O Crime Organizado


A noção de “Crime Organizado” acaba sendo um pouco genérica para se referir a cooptação de agentes do Estado ao crime, porém,ele considera difícil separar a cooptação do outro mercado ilegal, mercadorias políticas, que se constitui de relações de força, poder e privatização ou mercantilização da soberania do Estado.


A mesma banalização ocorre com o termo “Máfia”.


Para Misse, a diferença da economia formal da informal é a subordinação à regulamentação do Estado. Porém, essas duas formas econômicasnunca estão 100% separadas.






O jogo do Bicho


Misse contará que antes do tráfico de droga ser o principal mercado ilícito do Rio de Janeiro, o foco principal da segurança pública era voltado para o jogo do bicho.


Além de tradicional e poderoso, o bicho atraia força de trabalho do “submundo criminal”. Este mercado foi segmentado em territórios até o fim dos anos70, quando os principais banqueiros da cidade se uniram para controlar a distribuição de caça níqueis em bares e bingos. E passaram a girar em torno do jogo político.


A estrutura do jogo do bicho é constituída por pontos de vendas. O apostador deve procurar um apontador, que é a pessoa que faz o jogo. Ele recebe por comissão de venda, mas, em alguns casos, pode ter um salário fixo.Por ficar em espaços públicos, para se proteger, contrata um olheiro, que geralmente é um jovem e recebe uns trocados para ver se a polícia está chegando.


Existe também um gerente que administra os pontos e apontadores. Também é assalariado ou recebe por comissão.


O banqueiro é quem controla o território, paga o prêmio, recebe o dinheiro das apostas e paga os salários.Durante os anos 50 e 60, os principais conflitos violentos na cidade estavam relacionados a brigas e tensões de banqueiros pela luta do controle territorial através do jogo.


Além do aumento da violência, o jogo do bicho foi responsável por estabelecer uma relação com a polícia que possibilitou o crescimento da corrupção policial.


O movimento


A expressão “omovimento”, como se é conhecido o mercado de drogas das periferias urbanas cariocas, surgiu de uma gíria de dentro do próprio jogo do bicho.


Assim como o jogo do bicho, o mercado de drogas também tem suas hierarquias e é segmentado em territórios.


Até o início década de 80, o mercado informal ilegal carioca era dominado pelo jogo do bicho. Só a partir de meados dos anos 70 que otráfico de cocaína começou a surgir em grande escala. Sua hegemonia só foi consolidada quando o Comando Vermelho passou a direcionar o tráfico em meados de 80.


O Comando bancava tudo para que um novo movimento surgisse: armas, contatos, dinheiro e em troca pedia uma parte do lucro pra o caixa comum do comando, respeito pelas regras, apoio e proteção. Tentativas de fraudar a rede eram...
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