Resenha de coutinho

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS



Salvador/Bahia
2011

Coutinho, Maurício Chalfin. As origens da Economia Política Clássica. In:___. Lições de Economia Política Clássica. São Paulo:Mucitec; Campinas: Editora da Unicamp. P. 15-37.

Em meados do século XVIII, estava estabelecida uma nova maneira de abordar as questões econômicas. Desde o século anterior, temas econômicos eram abordados em panfletos sem pretensão
de que isso viesse a se tornar uma disciplina acadêmica. A situação muda rapidamente nos entornos de 1750, quando começam a surgir os grandes pensadores eestudiosos que viriam a formular teorias que tentavam explicar a realidade econômica da época, partindo da observação do que vivenciavam.
É nesse âmbito que o professor Maurício Coutinho, nas partes iniciais do Capítulo 1 do seu livro Lições de Economia Política Clássica, propõe uma análise e definição do ponto de partida da economia política. Num primeiro momento, o autor realiza uma periodização aotratamento de temáticas econômicas concentrada nos séculos XVII e XVIII, e revela a existência de alguns obstáculos antepostos à discussão das origens da economia política que inevitavelmente provocam controvérsias.
O primeiro obstáculo apontado por ele é a prisão da nossa visão sobre o passado aos enfoques atuais. Coutinho refere que: “O que entendemos como “ciência válida” hoje afeta e condicionaas interpretações sobre o passado, produzindo-se uma multiplicidade de “histórias do pensamento econômico”, em que os autores e sistemas analisados aparecem sob ângulos distintos (e às vezes inconciliáveis).”(p.19).
A natureza da ciência é o segundo obstáculo citado por Coutinho. O material analisado é histórico, o que significa que sofre contínua transformação e tem sua vigência datada. Ao exporesse obstáculo ele cita algumas contribuições que representam de certo modo uma reflexão, sobre temas econômicos, e bastante anteriores à constituição de uma ciência da economia política, mostrando a possibilidade de encontrar no passado remoto ilustrações abundantes envolvendo categorias econômicas, ou mesmo esboços de procedimentos analíticos cujo sabor lembra a ciência constituída. Mas, longede demonstrar a antiguidade do ponto de partida, elas só denotam a característica histórica e as origens remotas das relações mercantis. Reconhecer essas manifestações remotas do pensamento não deve, segundo Coutinho, nos levar a deixar de caracterizar a economia política como um sistema datado que condiciona historicamente a discussão do ponto de partida.
O último obstáculo mencionado foi algoinerente à natureza de uma ciência histórica em formação. No caso do ponto de partida, devemos caracterizar não uma escola ou período, mas os condicionantes da formação de um campo específico e delimitado de especulação. Daí a improcedência de procurarmos nos percursores a estrutura de um sistema ainda não constituído. E daí a necessidade de nos acercarmos do ponto de partida, tendo em vista umaproblemática que, se apenas permanece íntegra na ciência constituída, delimitava inteiramente o ambiente intelectual doa pensadores econômicos nos cem anos anteriores à publicação de A Riqueza das Nações.
Num segundo momento, o autor transporta e expõe traços frequentes dos textos dos percursores para a economia política. Existem elementos nesses escritos que nos permitem considerar a economiapolítica como desdobramento da filosofia do direito natural, como uma resposta específica às questões levantadas pelas controvérsias de temas econômicos correntes, bem como o elemento político contido no núcleo ideológico liberal. Coutinho aborda essas três perspectivas diferentes para a caracterização das raízes da economia política. Segundo ele, essas perspectivas não se excluem, pelo contrário,...
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