Resenha boris fauto

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  • Publicado : 5 de novembro de 2012
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Catharina Villela Costa Lincoln


A REVOLUÇÃO DE 1930: HISTÓRIA E HISORIOGRAFIA
BORIS FAUSTO


Em A revolução de 1930: História e Historiografia, Boris Fausto pretende, segundo suas próprias palavras “contribuir – através da análise de um episódio significativo – para o esforço de revisão histórica da Primeira República, que procura mostrar a inconsistência de um modelocorrente”[1]. Qual seja, aquele que, grosso modo, explica as tensões da primeira república que desembocam na revolução de 1930 como produto do antagonismo entre um setor agroexportador associado ao imperialismo e um outro composto pelas burguesia industrial, classes médias e forças armadas, dotado de idéias liberais e preocupado com o desenvolvimento da indústria nacional e do mercado interno.Sua argumentação passa, inicialmente, por uma discussão historiográfica em torno do modelo dualista. Em seguida, por uma análise da situação objetiva da indústria brasileira na década de 1920, do peso político da burguesia industrial no país e de sua intervenção como fração de classe no episódio revolucionário de 1930. Reflete também sobre o papel das classes médias na mesma época e episódio e suasrelações com o movimento tenentista. Finalmente, apresenta, do seu ponto de vista, qual a real correlação de forças do movimento revolucionário que dá fim à primeira república e à hegemonia da burguesia cafeeira na política nacional.
Os debates historiográficos que embalam todo o texto contam com nomes como Caio Prado Júnior, Celso Furtado, Nelson Werneck Sodré, Fernando Henrique Cardoso,Andrew Grund Funker, Virgínio Santa Rosa, Guerreiro Ramos, Hélio Jaguaribe, Francisco Weffort, dentre outros. O arsenal de fontes primárias também é bastante rico, composto por Anais (da Assembléia Constituinte de 1934, da Câmara do deputados de 1924-1930, do Senado Federal de 1924-1930, do Congresso Nacional de 1927-1930), dados estatísticos ministeriais, jornais da época, documentos de legislação,etc.
Sobre as teorias dualistas, há que se fazer considerações tanto de cunho historiográfico como de cunho político. Esses modelos explicativos consistem, basicamente, em marcar uma clara oposição, uma dicotomia, na História Latino Americana, entre um setor latifundiário “semi-feudal”, representante da tradição e uma moderna burguesia industrial, representante da modernidade e do desenvolvimentodo capitalismo nacional. Boris Fausto lança considerações sobre a indústria nacional da década da década de vinte e sobre a organização da correspondente classe industrial, visando quebrar os paradigmas das explicações dualistas. Significaria a revolução de trinta um assenso à dominação política da burguesia industrial?
O autor mostra a inconsistência das teses anteriores sob váriosfatores: 1) a incipiência da indústria nacional – dependente do setor agroexportador, basicamente têxtil e alimentícia, com baixo capital e força motriz, concentrada em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e ocupando apenas 13,8% da população ativa; 2) burguesia industrial pouco numerosa, com alguma influência no cenário político, mas sem um programa claramente industrialista; 3) PartidoDemocrático de São Paulo – simpático à revolução e integrante da Aliança Liberal – não representava a indústria paulista, pelo contrário, formava um pólo “antiindustrialista” na política do estado, se manifestando contra os industriais inclusive com um mote xenófobo (sendo que muitos industriais eram imigrantes europeus); 4) Conexões e alianças de industriais paulistas com PRP e setor cafeeiro; 5) Apoioda indústria paulista e suas organizações de classe à candidatura de Júlio Prestes e participação ativa na revolução constitucionalista de trinta e dois; 6) Oligarquias gaúcha e mineira não representavam os interesses industriais, eram sobretudo de origem agrária e também expressavam no parlamento um “antiindustrialismo”; 7) A Aliança Liberal não tinha um programa industrialista. Portanto, a...
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