Resenha as barbas do imperador

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SCHWARCZ, L. K. M. . As barbas do Imperador. 2a. edição. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
Lilia Katri Moritz Schwarcz é graduada em História pela Universidade de São Paulo possui mestrado em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas tem doutorado em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo e livre-docência em Antropologia Social pela USP.
O livro AsBarbas do Imperador de Lilia Katri Moritz Schwarcz, busca fazer uma reconstrução da figura e do papel simbólico do imperador D. Pedro II durante um momento crucial da história brasileira na qual o Brasil paulatinamente vai transformando-se em um país de caráter colonial a um país com características modernas, dotado de um soberano e de instituições solidificadas.
No século XIX, em meio a períodos deconturbações pelo qual o Brasil passava, Schwarcz focaliza na figura do imperador brasileiro através de um excelente trabalho iconográfico. Toda essa documentação iconográfica levantada por Schwarcz faz com que ela construa um trabalho historiográfico voltado a uma visão mais sincrônica, enfatizando o cotidiano do império brasileiro e deixando de lado toda aquela visão diacrônica e narrativa dosfatos históricos, problematizado os acontecimentos e levantando novas visões aos fatos. Desta forma, alguns temas foram destacados por Schwarcz para uma melhor compreensão das particularidades do Brasil e mais enfaticamente de seu imperador.
Levantar como questão o estabelecimento de uma monarquia nos trópicos é um dos temas ressaltado por Schwarcz, pois, no plano de uma politica externa, umamonarquia encravada em um continente americano gerava certo desconforto. Portanto, a preocupação de D. Pedro II não era somente firmar uma realeza brasileira, mas também criar uma identidade singular para seu império.
Destacar uma memoria e reconhecer uma cultura a esse império foi um dos pontapés iniciais para a construção dessa nova identidade. A construção do Instituto Histórico e GeográficoBrasileiro (o IHGB) que, teve como modelo o Institut Historique em Paris, foi criado como uma forma de consolidação para essa nova identidade.
Desta forma, D. Pedro II através do IHGB favorecia uma forma literária, estimulava a vida intelectual e, como seus vintes anos, aquela suposta marionete revelaria, aos poucos, um estadista cada vez mais popular e, sobretudo uma espécie de mecenas das artes, emvirtude da ambição de dar autonomia cultural ao país.
A comparação de D. Pedro II com os grandes monarcas europeus como Luís XIV chegou a ser inevitável, entretanto, não era somente o modelo de preservação a uma memoria que chamou atenção de Schwarcz, segundo ela, havia uma originalidade na cópia por parte do imperador brasileiro. O Romantismo aparecia como caminho principal para representar umaexpressão própria de uma nação recém-nascida.
O Romantismo que é teoricamente fundamentado em um nacionalismo, apareceu nas ultimas décadas do século XVIII para diferenciar-se de uma visão voltada ao racionalismo e ao iluminismo. Foi em cima desse nacionalismo que, busca destacar e valorizar as particularidades de uma determinada região, que D. Pedro II usou para trazer uma originalidade ao seuimpério.
A divulgação desse Romantismo se deu por meio da literatura através de um grupo selecionado e protegido pelo imperador e, foi à figura do índio escolhida para que tais literários como, Gonçalves Dias, Joaquim Manoel de Macedo entre outros, construíssem o índio como um representante nato do Brasil e, embora tivesse sido vitima de um processo colonizador que o massacrava, a figura doimperador era posta por esses literários como messias restaurador.
Entretanto, é importante salientar a reação de intolerância aos que se opusessem ao grupo literário escolhido por D. Pedro II e a imagem que este procurava passar do país. O caso de José de Alencar e as suas duras criticas ao livro de Magalhães onde o próprio imperador tomara partido por Magalhães, retrata bem a delimitação de...
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