Requiem para um povo

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  • Publicado : 13 de dezembro de 2012
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RÉQUIEM PARA UM POVO

*Manoel de Jesus

Nos últimos dias, estamos acompanhando através dos meios de comunicação, a angustiosa situação quanto a retirada das famílias que estão na área da antigareserva indígena Suiá-Missú, na região de Alto Araguaia, Mato Grosso, para desocupar a área em benefício dos índios. Essa situação, decorre da decisão judicial do TRF, implicando a mobilização daPolicia Federal, Policia Militar, e se necessário, o Exercito.
A grande pergunta que se faz neste momento é: De quem é a culpa neste processo desastroso que estamos vivenciando?
Vamos procurarentender o caso:
Os Xavante que viviam na área batizada como Marãiwatsédé (“mata fechada”, na sua língua) foram removidos de seu território em aviões da Força Aérea Brasileira pela Ditadura, em 1966. Como objetivo de incentivar a colonização da região nordeste de Mato Grosso, entre as bacias do Xingu e do Araguaia, o governo federal forçou os indígenas a seguirem para a Missão Salesiana São Marcos,distante do local cerca de 400 quilômetros, onde enfrentaram uma epidemia de sarampo que dizimou dois terços do grupo.
Desde aquela época, o povo de Marãiwatsédé tenta retornar à sua área.
A áreafoi vendida nos anos 60 para o Grupo Ometto, tornandose conhecida como Fazenda Suiá Missu, o maior latifúndio do mundo, com cerca de 800 mil hectares. Nos anos 80, a fazenda foi vendida para a empresaitaliana AGIP Petroli, que no final da década sofreu fortes pressões de grupos ambientalistas da própria Itália. A mobilização culminou no constrangimento do grupo empresarial na Conferência dasNações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento de 1992, a Eco 92, ao ponto de o presidente da corporação, Gabriel Cagliari, prometer a devolução da área aos Xavante.
Em 1992, a FUNAI iniciou umestudo para identificação do território Xavante, homologado em 1998 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso Em maio de 1995, saiu a primeira decisão da Justiça determinando a desintrusão. Em 2004,...
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