Quimica ciencia exata

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TEXTO 1
Aranha, M. L. e Martins, M. H. P. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo, Moderna, 1986.

O que é ciência?
Lewis Carroll era professor de matemática na Universidade de Oxford quando escreveu o seguinte em Alice no país das maravilhas: "- Gato Cheshire. . . quer fazer o favor de me dizer qual é o caminho que eu devo tomar? - Isso depende muito do lugar para onde você querir - disse o Gato. - Não me interessa muito para onde... - disse Alice. - Não tem importância então o caminho que você tomar - disse o Gato. - . . .contanto que eu chegue a algum lugar - acrescentou Alice como uma explicação. - Ah, disso pode ter certeza - disse o Gato - desde que caminhe bastante". A resposta do Gato tem sido frequentemente citada para exprimir a opinião de que os cientistasnão sabem para onde o conhecimento está levando a humanidade e, além disso, não se importam muito. Diz-se que a ciência não pode oferecer objetivos sociais porque os seus valores são intelectuais e não éticos. Uma vez que os objetivos sociais tenham sido escolhidos por meio de critérios não científicos, a ciência pode determinar a melhor maneira de prosseguir. Mas é provável que a ciência possacontribuir para formular valores e, assim, estabelecer objetivos, tornando o homem mais consciente das consequências de seus atos. A necessidade de conhecimento das consequências, no ato de tomar decisões, está implícita na observação do Gato de que Alice chegaria certamente a algum lugar se caminhasse o bastante. Desde que esse algum lugar poderia revelar-se bem indesejável, é melhor fazer escolhasconscientes do lugar para onde se quer ir. (René Dubos, O despertar da razão, São Paulo, Melhoramentos/Edusp, 1972, p. 165.) O texto de René Dubos, professor de biomedicina ambiental, reflete a preocupação que um cientista deve ter com os fins a que se destina a ciência. Vamos, portanto, começar esta Unidade com esta reflexão, que deve estar presente sempre que abordarmos tal problemática: aciência não é um saber neutro, desinteressado, à margem do questionamento social e político acerca dos fins de suas pesquisas. 1. Introdução Se você retomar o capítulo l, verá que a concepção que temos do homem é a de um ser em constante processo de se produzir; ao tentar superar, pela ação coletiva, a contradição que a natureza lhe antepõe, torna o mundo habitável e humaniza a si mesmo.

2 Nessesentido, podemos dizer que também a razão humana adquire formas diferentes no correr dos tempos, dependendo da maneira pela qual o homem entra em contato com o mundo que o cerca. Queremos dizer que a razão é histórica e vai sendo tecida na trama da existência humana. Então, a capacidade que o homem tem de discernir as diferenças e as semelhanças e de definir as propriedades dos objetos que orodeiam num determinado momento estabelece o tipo de racionalidade naquela circunstância. Essa apreensão do mundo não é sempre tematizada, sendo inicialmente pré-reflexiva. Na verdade, isso vale não só para o homem primitivo, para a criança, como também para nós, no cotidiano da nossa vida. Não é sempre que estamos refletindo sobre o mundo (ainda bem!), e a abordagem que dele fazemos se encontraprimeiro a nível do vivido. Por um esforço resultante do questionamento, a razão elabora o trabalho de conceituação, que vai se tornando cada vez mais complexo, geral e abstraio. A ação do homem, inicialmente "colada" ao mundo, é lentamente elucidada pela razão, que permite "viver em pensamento" a situação que pretende criar. Com isso não estamos dizendo que o agir humano se encontra separado dopensar (já vimos como essa relação é dialética), mas que o próprio pensamento passa a ser objeto do pensamento: instala-se no processo da razão a fase da auto-reflexão. Portanto, "a razão, enquanto resultado histórico de um processo natural, vai mudando de qualidade com a marcha progressiva de sua formação. A capacidade de proceder metodicamente aos mesmos atos a que até então procedia casual ou...
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