Questao social

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  • Publicado : 9 de outubro de 2011
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Para entender a questão social
A Questão Social como tema recorrente no meio acadêmico, profissional, político, nas políticas sociais e na gestão pública recebe interpretações diversas, e nem sempre superadoras do viés do feitiço, da ajuda, da caridade, e do assistencial. A leitura de autores fora e no Serviço Social que discutem o tema torna-se indispensável para superar a aparência dofenômeno e proporcionar a busca de sua essência, ou deixar visível as diferentes interpretações. Inclusive vem se acumulando literatura sobre a temática no Serviço Social.Cerqueira Filho (1982), já na década de 1980, analisa o pensamento político brasileiro sobre a questão social, então entendida como o conjunto de problemas sociais, econômicos e políticos de uma dada sociedade, e afirma que suaemergência data do surgimento da classe operária que impôs
ao mundo moderno, no curso da constituição da sociedade capitalista, um conjunto de problemas políticos, sociais e econômicos. Para ele o conflito entre o capital e o trabalho assume diferentes formas e articula tendências plurais no nível societário. Como questão política, a questão social é produzida por práticas sociais e discursoscontraditórios. Afirma, ainda, que o consenso absoluto em torno de pensamento e prática hegemônica é ilusório tendo em vista o caráter antagônico da estrutura social e econômica. Segundo ele, a questão social torna-se visível no Brasil desde o final do século XIX, mas ainda camuflada pelo processo de industrialização, bem controlado e articulado pelos
importadores e exportadores vinculados ao capitalinternacional. Permaneceu por várias décadas na ilegalidade e por tal razão foi pensada como desordem, incriminando o sujeito e sendo enfrentada via aparelhos repressivos do Estado. Somente no pós 1930, em meio a forças sociais pró-conservação e pró-mudança, a questão social deixa a ilegalidade, passando a ser reconhecida sob explicações liberais e/ou democratas como questão política ou de política.De fato, a questão social desponta como expressão das contradições de um capitalismo assentado no padrão econômico de substituições de importações e industrialização periférica, que não poderia mais ser subtraída por meios legais ou pela via da repressão policial.
Manifestações e enfrentamentos da questão social
A desigualdade social, como base da questão social, precisa ser qualificada equantificada.O Brasil, segundo Pochmann (2003),detém a terceira pior desigualdade de renda dentre 162 países do mundo. É, inclusive, pior do que a África do Sul do aparthaid. Dez por cento dos ricos ganham 50 vezes mais do que os 10% mais pobres e que compartilham 1% apenas da riqueza socialmente produzida e acumulada; 20% da população apresentam renda per capita acima de R$ 540,00 reais e 25% dosbrasileiros vivem em condições precárias,sem renda,emprego, acesso à educação, acumulando desigualdades não só de renda, mas política, social, cultural, moral e simbólica.
No Nordeste, em 1988, 58,8% da população vivia na pobreza absoluta. Dos 5,5 mil municípios brasileiros, 42% apresentam alto índice de exclusão social e desses, 86% estão no Norte e Nordeste do país. Apenas duzentas cidadesdesfrutam de um padrão de vida considerado adequado. O índice de desenvolvimento humano (IDH) médio do Brasil, e que é determinado por indicadores de renda, educação e saúde, é 0,739 o que coloca o país numa 79ª posição dentre os mesmos 162 países acima referidos. Em contrapartida, somos depois de 2000 a nona economia mundial.
Fatores conjunturais, mas, sobretudo os estruturais, são apontados comoresponsáveis pela concentração de riquezas, salários baixos e juros altos. A solução do problema para alguns se resolveria via estabilidade e crescimento da economia e melhoria da estrutura educacional, que são mecanismos de mercado. De fato, existe correlação entre desigualdade de renda e nível educacional,inclusive provocando lutas sociais, mas o que temos de fato é um sistema tributário...
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